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Prêmio de Ciência e Tecnologia para o SUS 2016

A professora Deborah, a residente Ana Luiza e a psicóloga Midori. Foto: Tiago Rodella, HRAC-USP

A professora Deborah, a residente Ana Luiza e a psicóloga Midori. Foto: Tiago Rodella, HRAC-USP

De baixo custo, interação on-line entre mães de crianças candidatas e usuárias de implante coclear mostrou os mesmos benefícios conhecidos em grupos presenciais; participantes se sentiram acolhidas e fortalecidas, o que é determinante para o sucesso do tratamento

Um trabalho desenvolvido no Programa de Residência Multiprofissional em Saúde Auditiva do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da USP recebeu menção honrosa no Prêmio de Incentivo em Ciência e Tecnologia para o SUS 2016, na categoria Monografia de Especialização ou Residência. O trabalho havia sido selecionado como um dos cinco finalistas na categoria.

Intitulada “A experiência de mães de crianças candidatas e usuárias de implante coclear participantes de uma rede social on-line”, a monografia é de autoria de Ana Luiza Martins Apolônio, residente em Psicologia na Residência Multiprofissional em Saúde Auditiva (turma 2014/2015), sob orientação da psicóloga Midori Otake Yamada, da Seção de Implante Coclear do HRAC-USP, e coorientação da fonoaudióloga Marina Morettin Zupelari, do Departamento de Fonoaudiologia da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP.

O objetivo do estudo foi identificar e analisar aspectos psicológicos relacionados aos pensamentos, sentimentos e emoções relatadas pelas mães participantes da rede social on-line ‘Portal dos Bebês’, criada a partir da dissertação de mestrado “Telessaúde em Audiologia: Avaliação da eficácia de uma rede social on-line como apoio aos pais de crianças com deficiência auditiva”, de autoria da fonoaudióloga Camila Piccini Aiello, orientada pela professora Deborah Viviane Ferrari no Programa de Mestrado em Fonoaudiologia da FOB-USP.

“A interação on-line, de baixo custo, evidenciou os mesmos benefícios conhecidos em grupos presenciais. As participantes se sentiram acolhidas e fortalecidas, indicando que a rede contribui para uma prática assistencial humanizada”, destaca Ana Luiza.

“Os relatos trouxeram expressões relativas à cirurgia e ativação do implante coclear, à família e à estimulação. Foram expostas dúvidas, preocupações, conhecimento adquirido e superações. Sentimentos negativos e positivos também foram relatados, como medo, ansiedade, angústia, alegria, gratidão, religiosidade e alívio. Verificou-se ainda a troca de experiências, informações e ajuda mútua, e estabelecimento de um vínculo de aproximação e amizade entre as mães”, explica.

De acordo com Ana Luiza, o apoio aos pais de crianças candidatas e usuárias de implante coclear é determinante para o sucesso deste tratamento, ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “A aplicabilidade ao SUS está no fato da rede social on-line ser um recurso para fornecimento de apoio, com potencial para promover a equidade, universalidade do acesso e desenvolvimento de um processo de reabilitação humanizado, centrado na família, além de ser consonante com as propostas do Programa Telessaúde Brasil, do Ministério da Saúde”, conclui.

Parceria
A professora Deborah explica que o trabalho de Ana Luiza é uma análise complementar dos dados da dissertação de Camila e ressalta a importância da parceria institucional entre a FOB e o HRAC.

Segundo a professora, a origem desse portal se deu a partir da linha de pesquisa Telessaúde e inovações tecnológicas, do Programa de Mestrado em Fonoaudiologia da FOB, por conta da necessidade de acompanhar as famílias à distância, já que muitas delas tinham dificuldade de vir para o atendimento na Seção de Implante Coclear do HRAC.

“Na dissertação de mestrado, nós fizemos a análise dos dados do ponto de vista fonoaudiológico. E essa parceria institucional com o HRAC é muito importante, porque ampliou o escopo do projeto, agregou o olhar da Psicologia para esses dados, e felizmente teve esse reconhecimento do Ministério da Saúde”, salienta Deborah.

A premiação
Os vencedores foram anunciados na cerimônia de entrega do Prêmio, no último dia 13 de dezembro, em Brasília (DF). Entre os critérios avaliados estão a viabilidade da aplicação dos resultados ou absorção de novas tecnologias, o potencial de inovação, a contribuição para a consolidação dos princípios e diretrizes do SUS e o mérito técnico-científico.

Em 2016, foram inscritos 89 trabalhos na categoria doutorado, 111 em mestrado, 36 monografias de especialização ou residência e 109 artigos publicados. O valor do prêmio em dinheiro para os vencedores foi de 15 a 50 mil reais, conforme a categoria. Os trabalhos vencedores e os finalistas que receberam menções honrosas sera?o divulgados, na i?ntegra, no Portal do Ministe?rio da Sau?de (www.saude.gov.br/sctie) e na Biblioteca Virtual de Sau?de do Ministe?rio (www.saude.gov.br/bvs). Também será publicado um livro contendo os resumos dos trabalhos vencedores e dos que receberam menções honrosas.

O Prêmio de Incentivo em Ciência e Tecnologia para o SUS é uma iniciativa da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE) do Ministério da Saúde que busca valorizar os pesquisadores da área da saúde e suas pesquisas, indispensáveis para o desenvolvimento das políticas públicas de saúde no país, além de incentivar a produção de trabalhos técnico-científicos na área de ciência e tecnologia de interesse do SUS.

Implante coclear
O implante coclear é um dispositivo eletrônico que estimula diretamente o nervo auditivo, por meio de pequenos eletrodos inseridos cirurgicamente dentro da cóclea, substituindo funções desta parte do ouvido interno. O dispositivo é indicado a crianças e adultos com surdez total ou quase total não beneficiados pelo uso de aparelhos auditivos convencionais.

(Com informações do Ministério da Saúde)