{"id":10042,"date":"2023-01-23T11:40:55","date_gmt":"2023-01-23T14:40:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.bauru.usp.br\/?p=10042"},"modified":"2023-01-24T11:41:04","modified_gmt":"2023-01-24T14:41:04","slug":"estudo-da-usp-bauru-mostra-que-virus-da-covid-19-pode-ser-detectado-em-lagrimas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.bauru.usp.br\/?p=10042","title":{"rendered":"Estudo da USP-Bauru mostra que v\u00edrus da COVID-19 pode ser detectado em l\u00e1grimas"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_10043\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.bauru.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023-01-23-deteccao-covid-lagrima-usp-bauru.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-10043\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-10043\" src=\"http:\/\/www.bauru.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023-01-23-deteccao-covid-lagrima-usp-bauru-300x187.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"187\" srcset=\"https:\/\/www.bauru.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023-01-23-deteccao-covid-lagrima-usp-bauru-300x187.jpg 300w, https:\/\/www.bauru.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023-01-23-deteccao-covid-lagrima-usp-bauru.jpg 395w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10043\" class=\"wp-caption-text\">Os cientistas utilizaram duas estrat\u00e9gias para coletar as l\u00e1grimas \u2013 o swab conjuntival (\u00e0 esquerda) e as tiras de Schirmer, empregadas em exame que avalia se o olho produz quantidade suficiente de l\u00e1grimas. Foto: Luiz Fernando Manzoni Louren\u00e7one\/USP<\/p><\/div>\n<p><strong><em>Os cientistas utilizaram duas estrat\u00e9gias para coletar as l\u00e1grimas \u2013 o swab conjuntival (\u00e0 esquerda) e as tiras de Schirmer, empregadas em exame que avalia se o olho produz quantidade suficiente de l\u00e1grimas<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Por Luciana Constantino \/ <a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/estudo-mostra-que-virus-da-covid-19-pode-ser-detectado-em-lagrimas-por-meio-de-teste-com-iswab-i\/40527\/\">Ag\u00eancia FAPESP<\/a><\/em><\/p>\n<p>Pesquisa liderada por cientistas da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) concluiu que o v\u00edrus da COVID-19 pode ser detectado em l\u00e1grimas por meio de testes com\u00a0<em>swab<\/em>, haste flex\u00edvel com algod\u00e3o na ponta usada na coleta de material para exames.<\/p>\n<p>Ao analisar amostras de pacientes internados no Hospital das Cl\u00ednicas de Bauru (SP) com diagn\u00f3stico da doen\u00e7a confirmado por m\u00e9todos convencionais, os pesquisadores detectaram o SARS-CoV-2 na superf\u00edcie ocular utilizando esse tipo de teste em 18,2% dos casos. O resultado indica uma alternativa ao <em>swab<\/em> nasal e oral, que causa desconforto no nariz e na garganta, e sinaliza a necessidade de medidas de prote\u00e7\u00e3o para os profissionais de sa\u00fade j\u00e1 que, apesar de baixo, h\u00e1 risco de transmiss\u00e3o do v\u00edrus pela l\u00e1grima.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a combina\u00e7\u00e3o de dois fatores \u2013 mais comorbidades e maior taxa de mortalidade \u2013 entre pacientes com teste positivo na l\u00e1grima sugere que a detec\u00e7\u00e3o viral pode auxiliar no progn\u00f3stico da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Os resultados foram\u00a0<a href=\"https:\/\/www.mdpi.com\/2077-0383\/11\/23\/6929\">publicados<\/a>\u00a0em artigo no\u00a0<em>Journal of Clinical Medicine<\/em>.<\/p>\n<p>\u201cNo in\u00edcio da pesquisa, pensamos em buscar um m\u00e9todo de diagn\u00f3stico f\u00e1cil, com a coleta de material sem tanto inc\u00f4modo para os pacientes. O <em>swab<\/em>\u00a0nasal, al\u00e9m de provocar desconforto, nem sempre \u00e9 usado da maneira correta. Para pessoas com desvio de septo nasal, por exemplo, pode ser um problema. Ach\u00e1vamos que a l\u00e1grima seria mais f\u00e1cil de executar, mais toler\u00e1vel. Conseguimos mostrar que \u00e9 um caminho. Uma limita\u00e7\u00e3o nesse estudo \u00e9 que n\u00e3o sabemos se a quantidade de l\u00e1grima coletada influencia na positividade ou n\u00e3o\u201d, afirma o autor correspondente do artigo, o professor <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/710764\/luiz-fernando-manzoni-lourencone\">Luiz Fernando Manzoni Louren\u00e7one<\/a>, da Faculdade de Odontologia de Bauru [FOB] e do Hospital de Reabilita\u00e7\u00e3o de Anomalias Craniofaciais [HRAC], ambos da USP.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, \u00e9 poss\u00edvel inferir que a probabilidade de detectar o v\u00edrus em amostras lacrimais \u00e9 maior em pacientes com carga viral alta, que pode levar a um quadro de viremia disseminada por diversos fluidos corporais.<\/p>\n<p>O trabalho recebeu apoio da FAPESP por meio de <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/193563\/teste-de-schirmer-e-swab-conjuntival-para-deteccao-de-sars-cov-2\/\">Bolsa de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica<\/a> concedida a <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/710763\/luis-expedito-sabage\">Lu\u00eds Expedito Sabage<\/a>, aluno de gradua\u00e7\u00e3o [do Curso de Medicina da FOB-USP], orientando de Louren\u00e7one [tamb\u00e9m est\u00e3o entre os coautores do estudo os professores da FOB-USP e do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o do HRAC-USP Carlos Ferreira dos Santos (superintendente da institui\u00e7\u00e3o) e Alessandra Mazzo, Josmar Sabage (professor de Curso de Medicina da FOB-USP e doutorando do HRAC-USP), al\u00e9m de pesquisadores do Byers Eye Institute,\u00a0do Departamento de Oftalmologia da Universidade Stanford, Estados Unidos].<\/p>\n<p><strong>T\u00e9cnica<br \/>\n<\/strong>De 61 pacientes internados, foram analisadas amostras de 33 deles com diagn\u00f3stico de COVID-19 e de outros 14 sem o v\u00edrus, obtidas durante o primeiro semestre de 2021, quando as principais variantes que circulavam no Estado de S\u00e3o Paulo eram a gama e a delta.<\/p>\n<p>Os cientistas utilizaram duas formas para coletar as l\u00e1grimas \u2013 o\u00a0<em>swab<\/em>\u00a0conjuntival e as tiras de Schirmer (exame para avaliar se o olho produz quantidade suficiente de l\u00e1grimas). As avalia\u00e7\u00f5es foram realizadas entre julho e novembro do mesmo ano.<\/p>\n<p>Do total, o SARS-CoV-2 foi detectado em 18,2% das amostras coletadas por\u00a0<em>swab<\/em>\u00a0e em 12,1% das obtidas por meio de tiras de Schirmer. Por outro lado, como esperado, nenhum dos pacientes negativos para COVID-19 em exames feitos com <em>swab<\/em> nasofar\u00edngeo teve amostra de l\u00e1grima positiva.<\/p>\n<p>Para avaliar as comorbidades, o grupo adotou o \u00cdndice de Comorbidade de Charlson (ICC), composto por 20 fatores e desenvolvido como forma de padronizar e ajustar indicadores de risco, discriminando o progn\u00f3stico de um paciente em termos da mortalidade no per\u00edodo de at\u00e9 um ano.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisa, os indiv\u00edduos cujas l\u00e1grimas testaram positivo para o SARS-CoV-2 tiveram ICC inferior em rela\u00e7\u00e3o ao restante (apontando maior probabilidade de \u00f3bito em dez anos) e taxas de mortalidade mais altas.<\/p>\n<p>Independentemente do diagn\u00f3stico de COVID-19, a maioria dos indiv\u00edduos apresentou baixa produ\u00e7\u00e3o lacrimal e desconforto ocular, indicando a necessidade do uso de l\u00e1grima artificial durante a interna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de dados demogr\u00e1ficos, cl\u00ednicos e de sintomas oculares, os cientistas trabalharam com an\u00e1lises de RT-qPCR (sigla em ingl\u00eas para Rea\u00e7\u00e3o em Cadeia de Polimerase de Transcri\u00e7\u00e3o Reversa). O m\u00e9todo requer a extra\u00e7\u00e3o do material gen\u00e9tico; um processo de transcri\u00e7\u00e3o do RNA em DNA e, por fim, a multiplica\u00e7\u00e3o do DNA. Considerado padr\u00e3o-ouro para diagn\u00f3stico da COVID-19 e amplamente usado em v\u00e1rios laborat\u00f3rios pelo mundo, o exame \u00e9 capaz de detectar a presen\u00e7a de at\u00e9 mesmo uma \u00fanica c\u00f3pia do material gen\u00e9tico do v\u00edrus na amostra.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de estudos anteriores, em que genes virais (N e RdRp) n\u00e3o foram considerados nas an\u00e1lises de RT-qPCR, nesse caso a pesquisa identificou diferentes partes do v\u00edrus, resultando em uma melhor taxa de detec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em julho de 2021, foi publicado o resultado do\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/full\/10.1177\/15353702211024651\">trabalho<\/a>\u00a0de um grupo da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas da Universidade de Campinas (FCM-Unicamp) que acompanhou 83 pacientes internados no Hospital de Cl\u00ednicas da cidade, dos quais 8,43% tiveram amostras de l\u00e1grimas ou da superf\u00edcie ocular positiva para a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cQuando come\u00e7amos, no in\u00edcio de 2021, n\u00e3o t\u00ednhamos tecnologia para fazer o cruzamento de alguns tipos de dados, saindo da ci\u00eancia b\u00e1sica para a pr\u00e1tica cl\u00ednica. Nesse intervalo, o Sabage fez um est\u00e1gio no Byers Eye Institute,\u00a0do Departamento de Oftalmologia da Universidade Stanford [Estados Unidos], uma refer\u00eancia em estudos de fluidos oculares complexos. Com a tecnologia de l\u00e1, foi poss\u00edvel fazer v\u00e1rios pareamentos e constatar a presen\u00e7a de SARS-CoV-2 em l\u00e1grimas das nossas amostras. A associa\u00e7\u00e3o com outra equipe trouxe resultados para nosso campus e abriu uma nova linha de pesquisa\u201d, completa Louren\u00e7one \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>O est\u00e1gio\u00a0em Stanford recebeu\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/202152\/teste-de-schirmer-e-swab-conjuntival-para-deteccao-de-sars2-covid19\/\">apoio<\/a>\u00a0da FAPESP.<\/p>\n<p><strong>Possibilidades<br \/>\n<\/strong>Agora, o grupo de pesquisadores iniciou uma nova linha com foco na detec\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as por meio de testes e exames ligados aos olhos. O objetivo \u00e9 trabalhar com outros tipos de v\u00edrus, al\u00e9m do SARS-CoV-2.<\/p>\n<p>\u201cExistem outros v\u00edrus ainda pouco estudados no Brasil. Pretendemos nos dedicar a encontrar solu\u00e7\u00f5es e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Vamos analisar tamb\u00e9m outras condi\u00e7\u00f5es virais que se tornam sist\u00eamicas\u201d, diz o professor.<\/p>\n<p>O artigo <em>Conjunctival Swabs Reveal Higher Detection Rate Compared to Schirmer Strips for SARS-CoV-2 RNA Detection in Tears of Hospitalized COVID-19 Patients<\/em> pode ser lido em:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.mdpi.com\/2077-0383\/11\/23\/6929\">www.mdpi.com\/2077-0383\/11\/23\/6929<\/a>.<\/p>\n<p><em>(Fonte: <a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/estudo-mostra-que-virus-da-covid-19-pode-ser-detectado-em-lagrimas-por-meio-de-teste-com-iswab-i\/40527\/\">https:\/\/agencia.fapesp.br\/estudo-mostra-que-virus-da-covid-19-pode-ser-detectado-em-lagrimas-por-meio-de-teste-com-iswab-i\/40527\/<\/a>)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os cientistas utilizaram duas estrat\u00e9gias para coletar as l\u00e1grimas \u2013 o swab conjuntival (\u00e0 esquerda) e as tiras de Schirmer, empregadas em exame que avalia se o olho produz quantidade suficiente de l\u00e1grimas. 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