{"id":8002,"date":"2019-08-13T13:51:46","date_gmt":"2019-08-13T16:51:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.bauru.usp.br\/?p=8002"},"modified":"2019-09-09T15:34:44","modified_gmt":"2019-09-09T18:34:44","slug":"hrac-usp-reabilitacao-de-norte-a-sul-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.bauru.usp.br\/?p=8002","title":{"rendered":"HRAC-USP: reabilita\u00e7\u00e3o de norte a sul do Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Hist\u00f3rias mostram transforma\u00e7\u00e3o na vida de pacientes e o\nalcance do trabalho realizado pelo Hospital, que beneficia fam\u00edlias de todos os\ncantos do pa\u00eds<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Calama, um distrito de Porto Velho, capital do Estado de\nRond\u00f4nia, est\u00e1 localizada \u00e0s margens do Rio Madeira, pr\u00f3xima da divisa com o\nAmazonas, na regi\u00e3o Norte do Brasil. A popula\u00e7\u00e3o de cerca de tr\u00eas mil\nhabitantes necessita ir at\u00e9 a capital para os atendimentos de sa\u00fade. De barco,\ns\u00e3o 17 horas de navega\u00e7\u00e3o rio acima. De lancha, a viagem dura cinco horas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.bauru.usp.br\/wp-content\/uploads\/IMG-2-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8007\" width=\"279\" height=\"198\" srcset=\"https:\/\/www.bauru.usp.br\/wp-content\/uploads\/IMG-2-2.jpg 841w, https:\/\/www.bauru.usp.br\/wp-content\/uploads\/IMG-2-2-300x214.jpg 300w, https:\/\/www.bauru.usp.br\/wp-content\/uploads\/IMG-2-2-768x548.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 279px) 100vw, 279px\" \/><figcaption>Cl\u00e9dina aos nove anos de idade, antes da cirurgia reparadora do l\u00e1bio. Foto: Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>\u00c9 nessa comunidade ribeirinha que vive Cl\u00e9dina Correa da\nSilva, 37 anos. \u00danica pessoa nascida com fissura labial em Calama, Cl\u00e9dina\nchegou ao Hospital de Reabilita\u00e7\u00e3o de Anomalias Craniofaciais (HRAC\/Centrinho)\nda USP em Bauru em 1992, aos dez anos de idade, ainda com a abertura no l\u00e1bio.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquele ano, ela realizou a cirurgia reparadora. Em 1995,\nretornou ao HRAC-USP para tratamento com a equipe de Odontopediatria.\nPosteriormente, sua condi\u00e7\u00e3o cl\u00ednica permitiu acompanhamento em seu Estado.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.bauru.usp.br\/wp-content\/uploads\/FOB_9267-1024x730.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8005\" width=\"332\" height=\"236\" srcset=\"https:\/\/www.bauru.usp.br\/wp-content\/uploads\/FOB_9267-1024x730.jpg 1024w, https:\/\/www.bauru.usp.br\/wp-content\/uploads\/FOB_9267-300x214.jpg 300w, https:\/\/www.bauru.usp.br\/wp-content\/uploads\/FOB_9267-768x548.jpg 768w, https:\/\/www.bauru.usp.br\/wp-content\/uploads\/FOB_9267.jpg 1402w\" sizes=\"(max-width: 332px) 100vw, 332px\" \/><figcaption>A paciente Cl\u00e9dina e o professor Carlos Ferreira dos Santos durante a expedi\u00e7\u00e3o do Programa FOB-USP em Rond\u00f4nia, em Calama, no m\u00eas de julho de 2019. Foto: Denise Guimar\u00e3es, FOB-USP <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Encaminhada ao HRAC-USP por membros da Universidade de S\u00e3o\nPaulo que desenvolviam atividades em Rond\u00f4nia, Cl\u00e9dina encontrou a expedi\u00e7\u00e3o do\n<em>Programa FOB-USP em Rond\u00f4nia<\/em> que\nesteve em Calama no m\u00eas de julho de 2019. Desenvolvido pela Faculdade de\nOdontologia de Bauru (FOB) da USP, o projeto de extens\u00e3o leva assist\u00eancia\nodontol\u00f3gica e fonoaudiol\u00f3gica a moradores daquela regi\u00e3o, por meio da atua\u00e7\u00e3o\ndos professores, alunos e funcion\u00e1rios da institui\u00e7\u00e3o. Profissionais e\nestudantes do HRAC-USP tamb\u00e9m atuam no projeto, que em 2020 contar\u00e1 ainda com a\nparticipa\u00e7\u00e3o dos alunos do Curso de Medicina da FOB-USP.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEncontrei o pessoal da USP de Bauru por acaso. Fui fazer a\nunha do dono do barco em que estava a expedi\u00e7\u00e3o. Conversei com os doutores,\ninclusive com o diretor do Centrinho, professor Carlos. Fiquei muito feliz\u201d, conta\nCl\u00e9dina, que hoje \u00e9 manicure, artes\u00e3 e faz bolos. Ela \u00e9 casada e tem dois\nfilhos, um rapaz de 19 anos e uma menina de dez, que nasceram sem fissura.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.bauru.usp.br\/wp-content\/uploads\/2019-08-13-materia-alcance-hrac-3-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8008\" width=\"370\" height=\"246\" srcset=\"https:\/\/www.bauru.usp.br\/wp-content\/uploads\/2019-08-13-materia-alcance-hrac-3-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/www.bauru.usp.br\/wp-content\/uploads\/2019-08-13-materia-alcance-hrac-3-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.bauru.usp.br\/wp-content\/uploads\/2019-08-13-materia-alcance-hrac-3-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.bauru.usp.br\/wp-content\/uploads\/2019-08-13-materia-alcance-hrac-3.jpg 1772w\" sizes=\"(max-width: 370px) 100vw, 370px\" \/><figcaption>Cl\u00e9dina com o marido, Ageu (abaixo), e com os filhos Thiago (acima) e Ana Lu\u00edsa (\u00e0 direita). Fotos: Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Cl\u00e9dina lembra que o tratamento propiciou uma grande\ntransforma\u00e7\u00e3o em sua vida. \u201cEu tinha muitos apelidos na escola, bei\u00e7o partido\nera um deles. Uma irm\u00e3 mais velha defendia-me e brigava com aqueles que me xingavam,\nmas eu sempre chegava em casa chorando. Eu tamb\u00e9m tinha muita vontade de passar\nbatom, mas n\u00e3o passava em raz\u00e3o da fenda. A pior coisa era olhar no espelho. E\no tratamento mudou a minha vida. Hoje tenho uma vida normal! Agrade\u00e7o a Deus e\na todos que me ajudaram\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFoi uma surpresa e uma grata satisfa\u00e7\u00e3o esse encontro em\nCalama. Uma demonstra\u00e7\u00e3o de gratid\u00e3o e carinho como essa que recebemos da\npaciente Cl\u00e9dina ilustra bem a import\u00e2ncia e o alcance do trabalho realizado\npela equipe do HRAC-USP ao longo dos seus 52 anos, e tamb\u00e9m a transforma\u00e7\u00e3o na\nvida das pessoas. Afinal, o objetivo maior da reabilita\u00e7\u00e3o \u00e9 propiciar qualidade\nde vida e plena inser\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo na sociedade\u201d, ressalta o professor\nCarlos Ferreira dos Santos, superintendente do HRAC-USP e diretor da FOB-USP.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.bauru.usp.br\/wp-content\/uploads\/2019-08-13-materia-alcance-hrac-4-1024x731.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8009\" width=\"330\" height=\"235\" srcset=\"https:\/\/www.bauru.usp.br\/wp-content\/uploads\/2019-08-13-materia-alcance-hrac-4-1024x731.jpg 1024w, https:\/\/www.bauru.usp.br\/wp-content\/uploads\/2019-08-13-materia-alcance-hrac-4-300x214.jpg 300w, https:\/\/www.bauru.usp.br\/wp-content\/uploads\/2019-08-13-materia-alcance-hrac-4-768x548.jpg 768w, https:\/\/www.bauru.usp.br\/wp-content\/uploads\/2019-08-13-materia-alcance-hrac-4.jpg 1051w\" sizes=\"(max-width: 330px) 100vw, 330px\" \/><figcaption>A paciente Gabriela (\u00e0 direita), com o marido, Rodrigo, a m\u00e3e, Marta, e a filha de tr\u00eas meses, Laura. Foto: Jennifer Villanova \/ Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Carreira e homenagem<\/strong><br>Outra hist\u00f3ria que mostra o impacto e a extens\u00e3o do trabalho do HRAC-USP \u00e9 a da enfermeira Gabriela Oliveira Silva, 29 anos, que vive em Pelotas (RS), na regi\u00e3o Sul do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Nascida com fissura labiopalatina, a ga\u00facha iniciou o\ntratamento no HRAC-USP aos tr\u00eas anos de idade. \u201cO tratamento foi fundamental na\nminha vida. Com o tratamento recebido no Centrinho, recuperei minha est\u00e9tica e\na parte funcional. Consegui ter uma vida normal: estudei, me formei, trabalho, tenho\nfam\u00edlia. Estou inserida na sociedade como qualquer outra pessoa\u201d, afirma\nGabriela.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.bauru.usp.br\/wp-content\/uploads\/2019-08-13-materia-alcance-hrac-5.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8010\" width=\"283\" height=\"188\" srcset=\"https:\/\/www.bauru.usp.br\/wp-content\/uploads\/2019-08-13-materia-alcance-hrac-5.jpg 800w, https:\/\/www.bauru.usp.br\/wp-content\/uploads\/2019-08-13-materia-alcance-hrac-5-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.bauru.usp.br\/wp-content\/uploads\/2019-08-13-materia-alcance-hrac-5-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 283px) 100vw, 283px\" \/><figcaption>Tatuagem do logo do HRAC-USP na paciente Gabriela. Foto: Eder Azevedo\/JC Imagens<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>\u201cVivi muito tempo dentro de hospital, em meio a\nprofissionais da \u00e1rea da sa\u00fade. Acredito que isso influenciou inclusive a\nescolha da minha profiss\u00e3o\u201d, revela a jovem, que se formou em Enfermagem e atua\nna \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos 22 anos, ap\u00f3s o enxerto \u00f3sseo alveolar \u2013 cirurgia que\nreconstitui o osso do arco dent\u00e1rio em pacientes com fissura labiopalatina \u2013,\nGabriela tatuou o logo do HRAC-USP sobre a cicatriz na regi\u00e3o do quadril, de\nonde \u00e9 retirada parte do osso para o enxerto. \u201cFoi uma maneira de homenagear o\nhospital\u201d, pontua.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A fissura labiopalatina<\/strong><br>Condi\u00e7\u00e3o cong\u00eanita em que h\u00e1 comprometimento da fus\u00e3o dos processos faciais durante a gesta\u00e7\u00e3o, a fissura labiopalatina est\u00e1 relacionada a fatores gen\u00e9ticos e ambientais. Apresenta grande variabilidade cl\u00ednica, podendo envolver desde uma pequena cicatriz labial at\u00e9 fissuras completas e bilaterais, que atingem o palato e s\u00e3o mais complexas. Pode ocorrer de forma isolada, estar associada a outras malforma\u00e7\u00f5es ou ainda fazer parte de um quadro sindr\u00f4mico. A preval\u00eancia no Brasil \u00e9 de uma a cada 650 crian\u00e7as nascidas.<\/p>\n\n\n\n<p>As principais implica\u00e7\u00f5es que as fissuras podem trazer ao\nindiv\u00edduo s\u00e3o dificuldade na alimenta\u00e7\u00e3o, altera\u00e7\u00f5es na arcada dent\u00e1ria e na\nmordida, comprometimento do crescimento facial e do desenvolvimento da fala e audi\u00e7\u00e3o.\nAo longo dos anos, essa condi\u00e7\u00e3o pode inclusive trazer impactos sociais e\ntamb\u00e9m o <em>bullying<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>O tratamento \u00e9 um processo que envolve a atua\u00e7\u00e3o de equipe\ninterdisciplinar, das \u00e1reas de cirurgia pl\u00e1stica, odontologia, fonoaudiologia,\nentre outras especialidades, todas indispens\u00e1veis \u00e0 reabilita\u00e7\u00e3o, que engloba aspectos\nfuncionais, est\u00e9ticos e emocionais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A institui\u00e7\u00e3o<\/strong><br>Fundado em 1967, o HRAC-USP \u00e9 pioneiro em suas \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o e considerado centro de refer\u00eancia no tratamento das anomalias craniofaciais cong\u00eanitas, s\u00edndromes associadas e defici\u00eancias auditivas, com assist\u00eancia disponibilizada via Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). O acesso de novos pacientes \u00e9 por meio das centrais de regula\u00e7\u00e3o, a partir de avalia\u00e7\u00e3o inicial em unidade b\u00e1sica de sa\u00fade. Nessas cinco d\u00e9cadas de atividades, o Hospital registra mais de 115.000 pacientes matriculados, vindos de todos os Estados do pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hist\u00f3rias mostram transforma\u00e7\u00e3o na vida de pacientes e o<br \/>\nalcance do trabalho realizado pelo Hospital, que beneficia fam\u00edlias de todos os<br \/>\ncantos do pa\u00eds<\/p>\n<p>Calama, um distrito de Porto Velho, capital do Estado de<br \/>\nRond\u00f4nia, est\u00e1 localizada \u00e0s margens do Rio Madeira, pr\u00f3xima da divisa com o<br \/>\nAmazonas, na regi\u00e3o Norte do Brasil. 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