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FMBRU-USP, mais jovem unidade de ensino da Universidade de São Paulo, obtém nota máxima no Enamed

Além da FMBRU, a FMUSP e FMRP-USP também receberam nota 5 no Enamed

A Faculdade de Medicina de Bauru (FMBRU-USP), a mais nova unidade de ensino da Universidade de São Paulo, criada em 2024, conquistou a nota máxima no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed).

Os dados foram apresentados pelos Ministérios da Educação (MEC), da Saúde (MS) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) no dia 19 de janeiro. A avaliação revela, de forma oportuna, uma fração da realidade do ensino de graduação médica no país.

O Enamed é a versão do Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), específica para cursos de medicina, que possibilita o aproveitamento de seus resultados nos processos seletivos de programas de residência médica.

Foram avaliados 351 cursos de medicina em todo o país; destes, apenas 49 obtiveram o conceito máximo (5), e a FMBRU, a caçula da USP, está nesse grupo. Além da Faculdade de Medicina de Bauru, outras duas faculdades da Universidade, a FMUSP (Faculdade de Medicina da USP/São Paulo) e a FMRP-USP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto), também receberam nota 5 no Enamed.

Qualidade estrutural

Para o diretor da FMBRU-USP, professor José Sebastião dos Santos, um dos pioneiros na criação da faculdade, o resultado tem grande significado, especialmente por se tratar de uma unidade recém-criada. O dirigente enfatiza que o curso de Medicina foi inicialmente abrigado na FOB-USP (Faculdade de Odontologia de Bauru) e, portanto, beneficiou-se da estrutura e da organização do Campus USP Bauru, incluindo o HRAC/Centrinho (Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais) e a Prefeitura do Campus (PUSP-B).

Sebastião ressalta a importância do acolhimento que o curso da FMBRU recebeu dos serviços de saúde municipais (Bauru, Bariri, Duartina) e estaduais, por meio do Hospital das Clínicas de Bauru, dos Hospitais Estaduais de Bauru e Américo Brasiliense, do Hospital de Base, da Maternidade Santa Isabel, do Instituto Lauro Souza Lima, bem como de associações voltadas à saúde, como a SORRI-Bauru e a Associação Casa dos Diabéticos, dentre outras, além do Hospital da Unimed-Bauru.

Professor José Sebastião dos Santos, diretor da recém-criada Faculdade de Medicina de Bauru (FMBRU-USP) – Foto: STE/FOB-USP


Engajamento coletivo

Nesta conquista, o diretor reforça que o engajamento e o trabalho dos docentes, servidores, preceptores e, sobretudo, dos estudantes merecem a mais profunda deferência. “Foi dessa integração de propósitos que obtivemos essa conquista, dentre outras recentes, como a aprovação de 12 programas de residência médica com bolsas do Ministério da Saúde e o conceito 6 (padrão de excelência internacional) para o Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação, com as duas áreas de concentração: cuidado interdisciplinar nos diferentes ciclos da vida e fissuras orofaciais e outras anomalias relacionadas”.

O professor José Sebastião dos Santos também destaca a importância da iniciativa do governo federal, com a expectativa de que esse processo avaliativo seja aperfeiçoado com o tempo e tenha as devidas consequências, induzindo a adequação das escolas médicas e garantindo que o egresso tenha formação sólida, adequada e compatível com as necessidades reais do sistema de saúde e da população brasileira.

Política educacional

“O país precisa de uma política nacional de formação médica pautada pelo rigor acadêmico, pela responsabilidade social e pelo compromisso com a segurança do paciente. Assim, acrescentar a esse exame de conhecimento a avaliação de competências esperadas dos egressos, que envolvem também atitudes, comportamentos e habilidades, deve ser a meta do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica”, afirma.

Finalizando, Sebastião reitera aos dirigentes das faculdades de medicina que o objetivo deve ser “estruturar e organizar um ambiente que reúna três escolas: graduação, pós-graduação lato sensu (residência médica), para completar a formação médica com a especialização, e a pós-graduação stricto sensu, para formar mestres e doutores”.

Uma faculdade, continua ele, que integra essas três escolas, alimenta um ecossistema de formação, extensão de serviços à comunidade por meio de cooperações com as políticas públicas, sobretudo de saúde, com pesquisa e inovação.

Ecossistema de formação

“Esse ecossistema, com a plenitude acadêmica, pode se associar à rede assistencial do sistema de saúde, que inclui serviços públicos municipais e estaduais, filantrópicos e privados e, assim, garantir a formação de lideranças profissionais capazes de lidar com a realidade da saúde e seus desafios”, conclui o diretor da Faculdade de Medicina de Bauru da Universidade de São Paulo.

A FMBRU-USP conta atualmente com 22 docentes, 91 profissionais responsáveis pela supervisão de práticas profissionalizantes (77 médicos que atuam como preceptores e 14 profissionais de diferentes formações que atuam como tutores) e 86 servidores técnicos e administrativos. Segundo a direção da faculdade, já está em curso o plano de contratação de 10 docentes por ano, até atingir o total de 105. A unidade tem capacidade para abrigar 360 estudantes de graduação. O curso de Medicina, sediado no Campus USP de Bauru, foi criado em 2017, inicialmente vinculado à FOB-USP, e já graduou três turmas. A FMBRU-USP, por sua vez, foi oficialmente criada em março de 2024.

O Ministério da Educação anunciou sanções para as instituições avaliadas com desempenho insuficiente, incluindo suspensão total de ingresso, redução do número de vagas e restrição de acesso a programas federais, como o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies). As instituições terão 30 dias para apresentar defesa, e as penalidades permanecerão em vigor até o próximo Enamed, previsto para outubro de 2026.

Luís Victorelli (MTb 21.656)