USP - Universidade de São Paulo
Campus Bauru
+ Notícias

Rádio Unesp FM, parceira jornalística da Assessoria de Comunicação da USP Bauru, completa 35 anos com maturidade e inovação


A Rádio Unesp FM pode ser ouvida na frequência de 105,7 MHz ou pelo site www.radio.unesp.br – Foto: Rubens Kazuo Kato

Em 13 de maio de 1991, a Rádio Unesp FM foi ao ar pela primeira vez, materializando um projeto pioneiro de comunicação pública e educativa em Bauru. Hoje, ao celebrar 35 anos de história, a emissora chega à maturidade consolidada como um espaço plural de divulgação científica, cultural e de integração comunitária.

Vinculada à Universidade Estadual Paulista (Unesp), a emissora vai além dos 105,7 MHz do dial. Acompanhando a era dos ecossistemas digitais, ela se faz presente em diversas plataformas de streaming, oferecendo uma grade diversificada para múltiplos públicos. Seu fortalecimento institucional também se dá por meio de alianças estratégicas, como a colaboração jornalística mantida desde 2018 com a Assessoria de Comunicação do Campus USP de Bauru.

Nesta entrevista concedida ao jornalista Luís Victorelli, do Portal Bauru.USP, a atual diretora da emissora, Angela Maria Grossi, reflete sobre o legado dos pioneiros, a força do engajamento estudantil, os desafios de atrair a geração digital e a essência afetiva que garante a sobrevivência do rádio na era do streaming. Confira:


A diretora Angela Angela Maria Grossi falou à reportagem do Portal Bauru.USP sobre a história e os desafios da Unesp FM – Foto: Rubens Kazuo Kato

São 35 anos de história desde a primeira vez que a Rádio Unesp FM foi ao ar, no dia 13 de maio de 1991. Ocupar a direção da emissora neste momento especial de comemoração, o que representa para você?

Sinto-me muito honrada por estar aqui hoje. Este é um período de consolidação. Se pensarmos na rádio como uma empresa, o início é a fase de criação; depois, vem o passo de estreitar laços com a sociedade e com a comunidade interna; e agora, chegamos à maturidade. Essa consolidação nos dá liberdade para pensar em novas alternativas e formatos de trabalho. Por isso, é um momento muito significativo e bonito para mim. É uma celebração feita por pessoas que emprestam sua criatividade, talento, sensibilidade e voz para dar vida à emissora. Estou muito feliz.

A Unesp FM tem como pilar a divulgação da produção científica, acadêmica e cultural da instituição. Como equilibrar o atendimento às demandas do seu público interno — que, ao mesmo tempo, pode ser fonte e ouvinte — com o interesse da sociedade em geral?

Esse equilíbrio nasce do monitoramento constante da nossa audiência. Identificamos, por exemplo, a necessidade de um formato jornalístico que integrasse o ambiente universitário à sociedade. Assim nasceu o “Conexão”, lançado em abril para ligar diretamente o conhecimento produzido na universidade às demandas comunitárias. Essa iniciativa se soma a projetos consolidados, como o “Colunistas” — criado na gestão do professor José Carlos Marques —, que dá visibilidade a pesquisadores de diversas áreas. Como a Unesp conta com milhares de especialistas em múltiplos campos do saber, a rádio funciona como um canal aberto e fundamental para essa vasta produção.

Qual é o perfil do público da Unesp FM?

Nossa audiência divide-se entre o público acadêmico — alunos, professores e funcionários — e a sociedade em geral. Além disso, o alcance da emissora vai muito além de Bauru. Embora a frequência modulada cubra um raio de 100 km, a transmissão contínua pelo site e pelas plataformas de streaming elimina as barreiras geográficas. Trata-se de um público bastante heterogêneo. Conseguimos consolidar uma forte base local e regional e, ao mesmo tempo, atrair ouvintes de qualquer parte do mundo que valorizam a identidade e a qualidade da nossa programação.

Sendo a comunicação pública a essência da emissora, como vocês enfrentam o desafio de produzir uma programação científica e educativa sem a pressão comercial pela audiência, mas, ainda assim, atrair os ouvintes?

Buscamos o equilíbrio por meio de uma política editorial bem estruturada, que define com clareza nossos critérios de conteúdo. Longe de ser uma limitação, o caráter educativo da Unesp FM é uma vantagem. Na vertente musical, dispomos de um acervo exclusivo em Bauru com mais de 30 mil títulos, abrangendo desde clássicos das décadas de 1920, 1930 e 1940 até a produção contemporânea. Enquanto as rádios comerciais se restringem aos chamados “hits” do momento, nós diversificamos nossa grade.

Oferecemos atrações como o “Fim de Tarde”, focado em sonoridades contemporâneas, e o “Música Ligeira”, dedicado aos sucessos de grande alcance. Paralelamente, o programa “Pé na Estrada” funciona como uma vitrine para novos talentos e artistas alternativos sem espaço no circuito comercial. Essa pluralidade nos permite conectar diferentes públicos. Além disso, estruturamos um acervo histórico com relíquias fonográficas — como discos de vinil, CDs, fitas de rolo, K7 e mini discs — e os respectivos equipamentos de época. Esse espaço funciona como um museu aberto a estudantes e entusiastas interessados na evolução da radiodifusão.

O caráter universitário da Unesp FM viabiliza importantes cooperações, a exemplo do trabalho conjunto com a Assessoria de Comunicação do Campus USP de Bauru no setor jornalístico. Qual a importância dessas parcerias?

A nossa emissora carrega uma forte identidade institucional; ela dialoga ativamente com a sociedade. Essa sinergia com a USP Bauru, sobretudo na área jornalística, é fundamental para a nossa essência. Compartilhamos o mesmo espaço geográfico e o compromisso de produzir ciência de relevância, o que nos motiva a ampliar esses laços e desenvolver novos projetos integrados.

Toda essa produção ganha força no “Giro Universitário” — um quadro do programa “Cidade Universitária” —, que reúne conteúdos da Unesp, USP, Unicamp e UFSCar. Essa parceria entre as quatro paulistas nasceu na pandemia e continua muito ativa.

No cenário nacional, fazemos parte da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP), coordenada pela Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), que conecta mais de 150 emissoras. Estar nessa rede nos coloca no centro do debate sobre tecnologia, novos formatos e os rumos da comunicação pública. Transmitimos o que vem de fora, mas, com os nossos 35 anos de história, já possuímos uma programação consolidada e temos muito a oferecer. É uma maneira de ampliar o nosso alcance.

Falando em audiência, os jovens que entram hoje na faculdade são nativos do mundo digital, enquanto uma parte considerável de seus pais ainda ouve rádio no dial do carro. Como lidar com o desafio dessa transição?

Temos buscado nos atualizar constantemente. Eu mesma tenho um filho de 20 anos e vejo esse comportamento em casa: ele cria as próprias playlists e não tem o hábito de sintonizar o rádio tradicional. Por isso, o objetivo desta gestão é nos aproximar desse público, trazendo os jovens para dentro da emissora para que participem ativamente e, claro, passem a nos ouvir. É um grande desafio!

Para mudar esse cenário, passamos a valorizar muito mais os conteúdos voltados para o site e redes sociais, justamente para atrair essa nova geração. Estimular a produção universitária aqui dentro — com formatos e linguagens mais acessíveis — também tem sido fundamental para estreitar esse laço.

Essa realidade não é exclusiva nossa, mas do rádio de modo geral, seja ele comercial ou público. Hoje, trabalhamos fortemente com o conceito de “rádio expandido”: não pensamos em audiência apenas na frequência modulada. É preciso planejar o conteúdo de forma integrada para o FM, o streaming e as mídias digitais.

Como aluno, honrosamente, da primeira turma de Jornalismo da Unesp, pude vivenciar a efervescência da criação desta rádio. Esse projeto nasceu da visão pioneira do professor Antônio Carlos de Jesus, ao lado de outros nomes fundamentais da época. Como você avalia esses primeiros passos?

Eu ia tocar justamente nesse ponto! Nos preparativos para o aniversário de 35 anos, a Fátima (Aparecida Belizário, produtora) resumiu perfeitamente o papel dele: “Se não fosse o professor Antônio Carlos, nenhum de nós estaria aqui”. Ele foi o motor de tudo, articulando o projeto dentro da universidade e no governo. Aliás, a própria TV Unesp também é fruto dessa liderança. Depois dele, outras gestões fundamentais mantiveram esse legado vivo, como Ana Silvia Médola, Reginaldo Tech, Ricardo Alexino Ferreira, Cleide Moreira Portes, Fábio Fleury e o professor José Carlos Marques (Zeca). Junto a uma equipe de profissionais brilhantes, eles consolidaram a Unesp FM como sinônimo de excelência.

Os estudantes também exercem um papel fundamental nessa construção contínua.

Sem dúvida. As redes sociais, por exemplo, são integralmente geridas por nossos alunos e estagiários. Eles trazem um olhar contemporâneo, apontando quais linguagens e formatos funcionam melhor e onde devemos inovar. Essa abertura à mudança é essencial para nós, contanto que seja direcionada ao nosso público qualificado. Não se trata de uma busca incessante por audiência, mas sim de uma evolução necessária para acompanhar o dinamismo do nosso tempo, preservando a rigorosa qualidade que caracteriza a emissora.

Diante das profundas transformações tecnológicas, de linguagem e de público pelas quais o rádio passa atualmente, como você projeta a Unesp FM para os próximos anos?

O rádio não perde a essência. Ele vai mudar, claro, mas quem quer companhia, informação rápida e emoção, sempre vai ligar o rádio. Ele traz uma memória afetiva muito forte. Eu mesma, na minha infância na zona rural do Paraná, ouvia rádio em onda curta o dia todo.

O meio vai se adaptar às novas tecnologias. É claro que não teremos a audiência das décadas de 1940 ou 1950, porque o mundo hoje oferece infinitas opções, mas o rádio continuará presente. Nossa equipe é apaixonada por esse veículo, pela cultura, pela educação e por fazer a comunicação entrar na casa das pessoas. É essa paixão que garante que a Unesp FM continuará viva, plural, afetiva e sempre levando o nosso melhor para a população.

Parceria jornalística com o Campus USP de Bauru

Desde 2018, a Rádio Unesp FM mantém uma parceria jornalística com a Assessoria de Comunicação do Campus USP de Bauru para a veiculação de notícias da Universidade de São Paulo. Essa cooperação se consolida nos programas “Cidade Universitária” e “Espaço das Universidades”, espaços dedicados à integração de conteúdo das emissoras e instituições parceiras.

A produção, estruturada originalmente sob os cuidados da jornalista Liene Perroca Castro, conta com a transmissão de boletins informativos voltados à divulgação científica e acadêmica, produzidos pelos jornalistas Marianne de Azevedo Ramalho Ferreira e Luís Victorelli.

A Assessoria de Comunicação do Campus USP de Bauru integra a Seção Técnica de Comunicação e Cultura da Prefeitura do Campus USP de Bauru (PUSP-B), sob a responsabilidade de Tiago Henrique Rodella da Silva.

Equipe da Rádio Unesp FM


Da esquerda para direita: Ernani de Camargo Thieri (Técnico em Eletrônica), Angélica Parreira Lemos Ruiz (Assistente Administrativo II), Pedro Norberto Nascimento (Jornalista), Fátima Aparecida Belizário (Produtora), Wellington César Martins Leite (Locutor), Cilene Ribeiro de Barros (Produtora), Angela Maria Grossi (Diretora), Jurandir Gomes Matos/Carrado (Operador de Rádio), Leire Mara Bevilaqua (Jornalista da ACI/Unesp), Marisa Naomi Sei (Jornalista), Priscila Pacheco de Lima (Assessora Técnica Administrativa), Sérgio Magson Dionizio (Coordenador de Programação), Fábio Tavares de Toledo (Jornalista), Paulo Sergio de Carvalho (Pepa) (Operador de Rádio) – Foto: Rubens Kazuo Kato

No acervo histórico da Unesp FM: Fábio Fleury (produtor), Wagner Barros (operador de áudio) Sylvestre Oliveira (operador de áudio) Ricardo Bizarra (locutor) Ayrton Mendes (técnico eletrônica) Marina Fontanelli (locutora) Liene Castro (jornalista) e Michel Amâncio (jornalista) – Foto: Priscila Pacheco de Lima

Quem faz a Unesp FM

Angela Maria Grossi (Diretora), Angélica Aparecida Parreira Lemos Ruiz (Assistente Administrativo II), Augusto da Silva Borba (Estagiário de Design), Ayrton Guerreiro Mendes (Técnico em Eletrônica), Celso Tessari Ravanini (Motorista), Cilene Ribeiro de Barros (Produtora), Eleide Volponi Bergamo (Jornalista), Ernani de Camargo Thieri (Técnico em Eletrônica), Fábio Camargo Fleury Oliveira (Produtor), Fábio Tavares de Toledo (Jornalista), Fátima Aparecida Belizário (Produtora), Flavia Carvalho de Souza (Estagiária de Jornalismo), Gisele da Silva Ramos (Servidora terceirizada), João Flávio Moraes de Lima (Discotecário Programador), José Benedito Ferrari (Operador de Rádio), Julia Sartori Hilsdorf (Estagiária de Jornalismo), Jurandir Gomes Matos (Carrado) (Operador de Rádio), Liene Perroca Castro (Jornalista), Luiz Aparecido Sylvestre de Oliveira (Operador de Rádio), Marcela Soares Evangelista (Estagiária de Jornalismo), Marina de Mello Fontanelli (Locutora), Marisa Naomi Sei (Jornalista), Michel Francisco Amâncio (Jornalista), Paulo Sergio de Carvalho (Pepa) (Operador de Rádio), Pedro Norberto Nascimento (Jornalista), Priscila Pacheco de Lima (Assessora Técnica Administrativa), Renato Luiz Posca (Operador de Rádio), Ricardo Bizarra Crivelari (Locutor), Sérgio Magson Dionizio (Coordenador de Programação), Wagner Matheos Barros (Operador de Rádio), Wellington César Martins Leite (Locutor).

Serviço:
Conheça mais a Rádio Unesp FM:

Acesse o site www.radio.unesp.br.
Sintonize 105,7 MHz no dial do seu rádio.
Ouça a programação em tempo real aqui.