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Anote na agenda! Vem aí o Módulo 3 do 3º Workshop Acadêmico da USP Bauru – Girando a Roda do Privilégio

O próximo módulo abordará o tema “Mulheres na Universidade: Desigualdades e a Ética do Cuidado” – Foto: Divulgação

No próximo dia 17 de junho (quarta-feira), o Centro Cuidar promoverá o Módulo 3 do seu 3º Workshop Acadêmico da USP Bauru – Girando a Roda do Privilégio.

O evento acontecerá na sede do Centro Cuidar, das 14h às 17h. O tema debatido será “Mulheres na Universidade: Desigualdades e a Ética do Cuidado”.

Este Módulo 3 receberá duas convidadas de trajetórias complementares: a professora e médica sanitarista Ana Flávia Pires Lucas D’Oliveira e a psicóloga Adriana Serrano.

A professora Ana Flávia Pires Lucas D’Oliveira, do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP, é médica sanitarista e coordenadora do Grupo de Trabalho de Mulheres da PRIP-USP.

As convidadas

Ana Flávia é uma das construtoras do SUA (Sistema USP de Acolhimento para situações de assédio, violência e discriminação) e trará ao encontro décadas de pesquisas e intervenções sobre violência de gênero e saúde, dentro e fora da USP.

A psicóloga Adriana Serrano tem formação em abordagem antroposófica e, no evento, conduzirá práticas de dança circular, abrindo espaço para que o tema seja também vivenciado no corpo e na relação com o outro.

O Centro Cuidar (Centro Integrado de Cuidado à Saúde Mental e Promoção de Bem-Viver Acadêmico da USP Bauru) conta com a coordenação da professora Dagma Venturini Marques Abramides e do médico psiquiatra Rafael Casali Ribeiro.

Para mais informações, entre em contato pelo e-mail cuidarbauru@usp.br ou telefone 14 3226-6515.

Boletim Institucional – Ciclo 2026
3º Workshop Acadêmico da USP Bauru · Girando a Roda do Privilégio

A roda começou a girar.

No dia 24 de abril, o Centro Cuidar realizou o primeiro evento público em seu novo prédio: a abertura do 3º Workshop Acadêmico da USP Bauru, Ciclo 2026 “Girando a Roda do Privilégio”.

Mais de 50 pessoas — docentes, servidores técnico-administrativos, estudantes e residentes de todas as unidades do campus — estiveram presentes, ao lado do professor José Ricardo de Carvalho Mesquita Ayres, pró-reitor adjunto de Inclusão e Pertencimento da USP.

O evento foi 45 minutos além do horário previsto, e surpreendeu quanta gente permaneceu até o final.

A Caminhada do Privilégio — o que é e como usamos

A tarde começou no gramado. A atividade central foi a Caminhada do Privilégio Acadêmico: todos de pé, lado a lado, no mesmo ponto de partida.

A partir de afirmações sobre condições de vida — relativas a raça, gênero, renda, moradia, religião, saúde mental, acesso digital, vínculos de cuidado, herança acadêmica, entre outros eixos — cada pessoa dava um passo à frente ou ficava parada, conforme sua trajetória.

Ao fim, a dispersão do grupo no espaço físico tornava visível, no corpo e no chão, o que dados e discursos raramente comunicam com tanta imediatez: que o ponto de partida não é o mesmo para todos.

Vale qualificar o uso que fazemos dessa ferramenta. A Roda do Privilégio Acadêmico que estrutura este ciclo não é tratada como um mapa definitivo — é um instrumento de provocação e reflexão, com limites que reconhecemos.

Seus eixos são todos interseccionais: influenciam-se mutuamente, e a posição de alguém em um eixo altera o peso e a leitura dos demais.

Raça carrega um peso estrutural que atravessa praticamente todos os outros eixos e determina, de formas frequentemente invisíveis, quem se vê representado e quem sequer se reconhece como parte da comunidade.

Classe e raça interpenetram-se de maneiras que pedem leitura conjunta. Gênero intersecciona com sexualidade, com neurodivergência, com o lugar institucional que cada um ocupa. A Roda é um ponto de entrada — não um veredicto.

Ela voltará ao longo de todos os módulos do ciclo, porque os eixos que mapeia não se esgotam num único encontro: reaparecem, sob outras formas, em cada tema.

Para quem quiser um contato com a dinâmica: o Instituto Locomotiva disponibiliza uma versão digital da Caminhada (https://jogodoprivilegio.ilocomotiva.com.br/), e este vídeo (https://youtu.be/L177yGji8eM) oferece um bom ponto de entrada ao que a experiência mobiliza.

O que a rodada de fechamento do Módulo 1 revelou

No encerramento, cada pessoa foi convidada a oferecer um que bom (celebração), um que pena (incômodo honesto) e um que tal (compromisso pessoal concreto).

O que emergiu não foi consenso — foi diversidade real de perspectivas, com pontos de contato inesperados entre vínculos muito distintos com a universidade.

Da gratidão

Vozes da coordenação ao internato médico, da chefia de setor ao ingresso recente, nomearam variações do mesmo reconhecimento: este tipo de espaço não existia. Um estudante de graduação colocou de forma que ficou na sala: “Eu não consigo levar esse momento pros meus colegas se eles não estiverem aqui. Eu preciso que isso alcance eles.”

Do incômodo

Três tensões se repetiram com força suficiente para merecer nomeação pública.

O alcance ainda restrito. A iniciativa atinge uma fração pequena do campus — residentes, algumas unidades, segmentos específicos continuam fora da conversa. Três alunos da graduação estiveram presentes, um de cada curso, numa comunidade discente que soma centenas.

A distância entre intenção e impacto. Uma professora disse em voz alta o que muitos carregam em silêncio: “A gente faz workshops, reuniões, conscientização — e no mês seguinte acontece a mesma coisa. Será que o que a gente tá fazendo tá trazendo frutos?” É uma pergunta que permanece aberta. Ela precisa permanecer.

Uma tensão estrutural. Um servidor nomeou o risco que todo projeto de bem-estar institucional corre: tornar-se instrumento de produtividade. O colaborador “saudável” que rende mais — bem-estar a serviço do desempenho institucional, não da pessoa. Essa crítica circulou abertamente no encontro, e o Centro Cuidar a recebe: ninguém aqui está inteiramente fora dessa lógica.

É exatamente por isso que o horizonte do Cuidar se ancora em outra pergunta — não como uma pessoa pode funcionar melhor, mas o que é preciso para que nós, juntos, vivamos bem.

Dos compromissos

As ações foram concretas e distribuídas: escutar mais; criar canais para sugestões que não se percam; fazer a conversa chegar a quem não pode — ou não sabe que pode — vir até ela. O professor José Ricardo Ayres encerrou com um compromisso pessoal: “Que tal eu levar essas questões ao nível central, para ver se conseguimos avançar um pouco mais.”

Módulo 2: já aconteceu

No dia 18 de maio, o ciclo teve continuidade com o Módulo 2 — Acessibilidade e Desenho Universal no Ensino Superior. Em breve compartilharemos a cobertura desse encontro.

Anote na agenda — Módulo 3

Quando: 17 de junho de 2026 – 4ª feira – 14h às 17h
Onde: Prédio do Centro Cuidar do Campus USP de Bauru
Tema: Mulheres na Universidade: Desigualdades e a Ética do Cuidado
Convidadas: Professora da FMUSP, Ana Flávia Pires Lucas D’Oliveira, médica sanitarista, e a psicóloga Adriana Serrano, com formação em abordagem antroposófica.

O ciclo avança — e o próximo encontro você não vai querer perder.

Registros do 2º Módulo realizado no dia 18 de maio de 2026