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Pesquisa sobre periodontite na gravidez foi desenvolvida na FOB-USP e no Karolinska Institutet da Suécia

Gerson Aparecido Foratori-Junior, pesquisador de pós-doutorado vinculado à FOB-USP foi o orientador da pesquisa tanto em seu projeto de iniciação científica no Brasil, e também como orientador na proposta da Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior (BEPE), ambos financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (FAPESP)

Amanda Borges Pirondi e Gerson Foratori; na sequência, Nagihan Bostanci e Amanda Pirondi/Foto: Divulgação

 

Por Marianne Ramalho

O trabalho de iniciação científica “Proteínas salivares associadas à atividade neutrofílica e perfil gelatinolítico em diferentes estágios da periodontite na gravidez” foi realizado por Amanda Borges Pirondi, estudante do 3º ano do curso de graduação em Odontologia da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da Universidade de São Paulo (USP).

Gerson Aparecido Foratori-Junior, pesquisador de pós-doutorado vinculado à FOB-USP foi o orientador da pesquisa tanto em seu projeto de iniciação científica no Brasil, e também como orientador na proposta da Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior (BEPE), ambos financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (FAPESP).

O orientador estabeleceu uma colaboração com pesquisadores do Karolinska Institutet na Suécia que foi ampliada de maneira bem-sucedida, resultando na aprovação perante a FAPESP de uma bolsa de iniciação científica para a aluna Amanda realizar um estágio de pesquisa no período de dois meses.

Durante o estágio no exterior, a aluna foi supervisionada pela professora Nagihan Bostanci, do Karolinska Institutet. Ela foi em dezembro de 2025 e retornou em fevereiro de 2026. O resumo do trabalho foi desenvolvido em colaboração com a equipe da Suécia para uma modalidade específica da 43ª Reunião Anual da SBPqO, realizada de 9 a 12 de setembro, em São Paulo e a aluna obteve a segunda colocação no “Prêmio Professor Jaime Aparecido Cury”.

Essa modalidade é destinada a associados da categoria iniciante como graduandos, estagiários e alunos de especialização, que atendam aos critérios estabelecidos no regulamento, incluindo estudantes regularmente matriculados em Odontologia ou que tenham concluído a graduação até 2025. O prêmio busca reconhecer pesquisas de graduação de elevada qualidade científica.

Gerson afirma que “para a FOB-USP, a premiação amplia a visibilidade institucional, evidencia a qualidade da pesquisa desenvolvida desde a graduação e reforça a capacidade da Faculdade de formar estudantes com atuação científica competitiva. Também demonstra os resultados concretos da internacionalização, do financiamento público da ciência e das colaborações estabelecidas com instituições estrangeiras de excelência, como o Karolinska Institutet”.

Atualmente, Gerson Foratori desenvolve um estágio de pesquisa no King’s College, em Londres. Ele informa que recentemente a FAPESP anunciou mudanças nas normas para solicitação de propostas BEPE e infelizmente, uma das mudanças é que alunos de iniciação científica não podem mais pleitear estágio de pesquisa no exterior. O que na sua opinião é uma pena, tendo em vista que a aluna foi premiada no maior congresso de pesquisa odontológica do Brasil, com um trabalho resultante da colaboração internacional criada com o estágio da aluna durante a sua pesquisa de iniciação científica.

O pesquisador esclarece que na sequência da repercussão das mudanças e da mobilização da comunidade acadêmica, a FAPESP divulgou um comunicado informando que estudantes de iniciação científica e mestrado poderão pleitear bolsas para estágios de pesquisa no exterior por meio de chamadas específicas. Portanto, a formulação mais precisa é que a mudança retirou a iniciação científica e o mestrado do sistema de submissão em fluxo contínuo e condicionou o acesso à BEPE à publicação de chamadas específicas.

“Na minha avaliação, essa alteração reduz a previsibilidade e a flexibilidade necessárias para planejar uma experiência internacional, que envolve a articulação com o grupo estrangeiro, a compatibilização de cronogramas acadêmicos, a preparação da documentação e a organização da viagem e da acomodação” conclui Gerson.

Para o orientador “a trajetória da Amanda constitui um exemplo dos benefícios da internacionalização ainda na graduação. A experiência permitiu que ela aprofundasse seus conhecimentos em metodologias laboratoriais em uma instituição internacional de referência, ampliasse sua rede de colaboração, produzisse resultados que fundamentaram a submissão de um artigo a um periódico internacional e conquistasse o segundo lugar em uma das modalidades mais competitivas do principal evento de pesquisa odontológica do país. Por essa razão, considero importante preservar oportunidades regulares, previsíveis e amplamente acessíveis de internacionalização desde a graduação, etapa em que frequentemente se consolida o interesse do estudante pela carreira científica”.

A pesquisa

Durante a gravidez, as alterações hormonais e imunológicas podem intensificar a resposta inflamatória da gengiva ao biofilme dentário. A gravidez, isoladamente, não causa periodontite, mas pode favorecer manifestações inflamatórias e tornar ainda mais importante o acompanhamento odontológico nesse período. Por isso, o pré-natal odontológico é fundamental para a prevenção, o diagnóstico e o monitoramento da saúde bucal da gestante.

A periodontite é uma doença inflamatória que provoca a destruição progressiva dos tecidos que sustentam os dentes. Seu diagnóstico é baseado principalmente no exame clínico periodontal, que inclui a sondagem ao redor dos dentes. A classificação atual das doenças periodontais utiliza também informações radiográficas, sobretudo para estimar a perda óssea e auxiliar na definição da gravidade, da extensão e da complexidade da doença. As radiografias podem ser realizadas com segurança durante a gravidez, mas, como todo exame que utiliza radiação ionizante, devem ser solicitadas de forma criteriosa e apenas quando proporcionarem benefício clínico.

Nesse contexto, a saliva apresenta grande potencial para auxiliar o diagnóstico e o acompanhamento das doenças bucais. Trata-se de um material de fácil obtenção, coletado de maneira rápida e minimamente invasiva, que contém proteínas e outras moléculas capazes de fornecer informações sobre o estado de saúde do indivíduo.

No trabalho foram investigadas as proteínas salivares relacionadas à atividade dos neutrófilos, que são células de defesa participantes da resposta inflamatória, e a atividade de enzimas envolvidas na degradação de proteínas dos tecidos. O objetivo foi verificar se esses componentes poderiam ajudar a diferenciar os estágios I, II e III da periodontite em gestantes.

Entre as proteínas avaliadas, níveis elevados de elastase-2, ou ELA2, apresentaram a associação mais consistente com a gravidade da periodontite e o maior potencial para distinguir os estágios mais avançados da doença na amostra estudada.

Esse resultado aponta a ELA2 como um possível biomarcador salivar complementar. No futuro, após novos estudos de validação, marcadores como esse poderão contribuir para estratégias diagnósticas menos invasivas e para uma avaliação mais individualizada das gestantes, sempre em conjunto com o exame clínico e sem substituir, neste momento, os métodos diagnósticos estabelecidos.

O estudo contou com a participação dos seguintes autores: Amanda Borges Pirondi; Kai Bao, do Karolinska Institutet; Flávia Godoy Iano e Adriano de Souza Pessoa, da FOB-USP; Hélvis Enri de Sousa Paz, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Marília Afonso Rabelo Buzalaf, da FOB-USP; Nagihan Bostanci, do Karolinska Institutet e Gerson Aparecido Foratori-Junior, atualmente vinculado à FOB-USP e ao King’s College London.