O evento é gratuito e os espetáculos serão apresentados durante três dias, sempre às 19h, no Teatro Universitário da FOB-USP. O Circuito é uma promoção conjunta do Teatro da Universidade de São Paulo (TUSP) e da Prefeitura do Campus USP de Bauru (PUSP-B), com organização e realização do Centro Cultural da USP e apoio da FOB-USP
Por Marianne Ramalho / Comunicação USP Bauru
No período da 16 a 18 de outubro será realizado no Campus da USP de Bauru o “23º Circuito TUSP de Teatro”. O evento é gratuito numa promoção conjunta do TUSP – Teatro da USP e Prefeitura do Campus USP de Bauru (PUSP-B), com organização e realização do Centro Cultural da USP e apoio da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da Universidade de São Paulo (USP).
Os espetáculos serão realizados sempre às 19h, no Teatro Universitário da FOB-USP, e são abertos à comunidade em geral. Embora o evento seja gratuito, a organização solicita a doação de um litro de leite, que será entregue a instituições sociais de Bauru.
Programação
Dia 16/10 (sexta-feira) às 19h – “Las Neuronas”
Em LAS NEURONAS – Realidade É Aquilo Em Que Prestamos Atenção. Procuramos evocar essas questões através do teatro e de seus dispositivos presenciais e lúdicos, íntimos e coletivos. Propomos nosso público olhar com humor para si.
Este é um espetáculo original, com dramaturgia de Cristiane Zuan Esteves, baseado na obra e pesquisa da neurocientista espanhola Nazareth Castellanos. É um trabalho onde experimentos de neurociência são recriados cenicamente com a participação do público e de forma bem-humorada para pensar a consciência e a presença, baseado em depoimentos e dados científicos.
A peça parte de estudos e experimentos acerca dos sistemas de regulação e sincronização dos neurônios no cérebro, influenciados e determinados por vários sistemas do corpo. Um “desafio ao público” para “tomar posse de sua mente e corpo” e observar sua própria atenção. Afinal, como escreveu William James “realidade é aquilo em que prestamos atenção”.
Através da transposição do material teórico e documental em linguagem cênica, o trabalho questiona os processos em que pensamentos e ações humanas são sincronizados e modificam o mundo coletivamente.
Em meio ao regime das solicitações crescentes e constantes das telas, redes e demais dispositivos de informação, de que forma nos organizamos? Quais as formas em que somos arrastados em comportamentos que ameaçam a democracia, nossas vidas ou o planeta?
OPOVOEMPÉ, grupo de teatro paulistano com 20 anos de existência e uma trajetória nacional e internacional, se debruça sobre questões contemporâneas em dramaturgias próprias e em formatos vários: espetáculos teatrais, ações no espaço público e dinâmicas relacionais.
O grupo já realizou criações em países como Croácia, Alemanha e Dinamarca, foi indicado ao Prêmio Governador do Estado por sua pesquisa arrojada e contemplado duas vezes com o Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, entre outros. Diversos pesquisadores e acadêmicos têm se debruçado sobre o trabalho do grupo em livros, artigos e teses.
(Com informações do Grupo OPOVOEMPÉ)
Dia 17/10 (sábado) às 19h – “Chernobyl”
No dia 26 de abril de 1986, à 1h23min58seg, uma série de explosões destruiu o reator e o prédio do quarto bloco da Central Elétrica Atômica de Chernobyl, próxima a cidade de Pripyat, na Ucrânia. Em meio ao caos, milhares de pessoas são obrigadas a deixar suas casas, abandonando seus bens e suas histórias. Uma boneca, Antonia acompanha e compartilha o sofrimento de “sua família”: a menina Hanna, seu irmão Michael, a mãe Elena e o pai Igor, obrigados a enfrentar os efeitos devastadores do maior desastre nuclear da história.
A peça Chernobyl estreou em setembro de 2019 na Sala Beta do SESC Consolação, na cidade de São Paulo. Depois cumpriu temporada gratuita na Oficina Cultural Oswald de Andrade em dezembro de 2019. Recebeu excelentes críticas e artigos de jornalistas especializados e teve apresentações lotadas em todas as temporadas. Participou do projeto #emcasacomsesc com apresentação em outubro de 2020 transmitida ao vivo diretamente do Sesc Santana.
Em abril de 2021 a peça foi selecionada para o 1o. Festival Paulista de Jogos Teatrais que aconteceu em versão online. Foi vencedora do Proac Circulação 2021 no estado de São Paulo e cumpriu turnê no primeiro semestre de 2022 pelas cidades de Pindamonhangaba, Garça, São Bernardo do Campo, Espírito Santo do Pinhal e Praia Grande, além de ter se apresentado no Teatro Aliança Francesa nas datas 26 e 27 de abril de 2022 para uma homenagem às vítimas no aniversário de 36 anos da tragédia. Foi também convidada pelo SESC São José do Rio Preto para se apresentar em maio e pelo colégio Santa Maria em junho, ambos em 2022.
A Peça Chernobyl foi indicada aos prêmios: APCA na categoria: Melhor direção, para Bruno Perillo; 5 categorias do Prêmio Aplauso Brasil: Melhor direção, para Bruno Perillo; Melhor espetáculo independente, sob produção de Anayan Moretto; Melhor elenco, para Carolina Haddad, Joana Dória, Manuela Afonso e Nicole Cordery; Melhor iluminação, para Grissel Pinguillem e Melhor figurino, para Chris Aizner.
Dia 18 de outubro (domingo) às 19h – “Medea depois do sol”
Sinopse: Tendo cometido filicídio, uma mulher, Medea, avança a bordo de Marus, uma especial embarcação, rumo à sua terra de origem, Yewá. Uma navegação que é também uma jornada de revista sobre sua condição de mulher oprimida pelo desleal conquistador Nassár. Nesse retorno à gênese, Medea acaba também por evocar um coro de mulheres barqueiras, as Marinhas, vozes que com ela viajam, fortalecem o coletivo para a luta e preparam-na para a reconciliação com Hélsius, o acendedor de Sóis, seu avô, em busca de um mundo reinventado.
Medea depois do sol é um texto inédito da dramaturgia feminista de Luciana Lyra. À luz da mítica grega, Medea aporta na América Latina e nos canaviais de Pernambuco dos tempos coloniais, para tratar da violência de gênero como trauma social – tema indissociável da tragédia de Medea, símbolo da maternidade em seu limite mais extremo – o filicídio. A peça traz Lyra no papel título, com participação da atriz/musicista Lisi Andrade, além da direção de Ana Cecília Costa e Katia Daher.
Com a sua investigação de doutorado em artes na Unicamp, iniciada em 2007 e defendida em 2011, Luciana Lyra inaugurou um marcante e inédito encontro com o teatro produzido pelas mulheres da Zona da Mata Norte de Pernambuco, conhecidas como as Heroínas de Tejucupapo, que remontam episódio colonial de 1646, quando um grupo de mulheres, em defesa da terra, expulsaram soldados holandeses neste mesmo lugarejo, desenhando uma das primeiras ações protofeministas em solo nacional.


