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3º Workshop Acadêmico da USP Bauru discute política de inclusão e laços interpessoais na comunidade

O evento reuniu autoridades, professores, alunos e funcionários numa roda de conversa sobre temas importantes da convivência na Universidade, no prédio do Centro Cuidar

Aline F. Melo, psicóloga do ECOS; Rafael Casali Ribeiro, coordenador do Centro Cuidar; José Sebastião dos Santos, diretor da FMBRU; Heitor Marques Honório, vice-diretor da FOB; José Ricardo de Carvalho Mesquita Ayres, pró-reitor adjunto da PRIP; Rodrigo Cardoso de Oliveira, diretor da FOB e Marília Buzalaf, professora da Disciplina de Bioquímica da FOB/Foto: Kazuo Kato (Comunicação USP Bauru)

Com a presença do professor José Ricardo de Carvalho Mesquita Ayres, pró-reitor adjunto de Inclusão e Pertencimento da USP foi realizada no dia 24 de abril, das 14h às 17h, a abertura do 3º Workshop Acadêmico da USP Bauru promovido pelo Centro Integrado de Cuidado à Saúde Mental e Promoção do Bem-Viver Acadêmico (Centro Cuidar).

O tema central do Ciclo 2026 do Workshop é “Girando a Roda do Privilégio” e foi o primeiro evento público realizado no prédio do Centro Cuidar, que foi inaugurado em janeiro de 2026. Serão realizados mais seis encontros nos meses de maio, junho, agosto, setembro, outubro e novembro, discutindo temas que propiciem significativas mudanças de atitudes entre a comunidade universitária do Campus USP de Bauru.

Além do pró-reitor adjunto, José Ricardo, a solenidade contou com a presença de alunos, professores, funcionários e autoridades do campus. Após as falas de abertura, o médico psiquiatra Rafael Casali Ribeiro, coordenador do Centro Cuidar da USP Bauru, convidou a todos para participarem de uma atividade no gramado defronte ao prédio, e realizou um exercício da Roda do Privilégio, onde os participantes davam passos ou permaneciam em seus lugares, sobre questões como gênero, raça, religião, saúde mental, moradia, entre outros temas.

Professores, alunos e funcionários participam da atividade Roda do Privilégio/Foto: Kazuo Kato (Comunicação USP Bauru)

Sobre o novo prédio e o Workshop, o psiquiatra Rafael afirma “que o cuidado mútuo, em diferentes frentes, articulando com ações culturais, artísticas, como as parcerias com o Centro Cultural, e iniciativas de outros servidores, como por exemplo a realização de oficinas de Role Playing Game (RPG) do projeto aprovado pela PRIP são importantes para ocupar esse espaço.  Isso porque favorece a criação de laços interpessoais. O aspecto lúdico é importante para resgatar a capacidade de desenvolvimento de narrativas, imaginação, e a possibilidade de contar histórias. Isso nos fortalece como ser humano, estreita laços e torna um espaço melhor para vivermos juntos. Aliás que é disso que se trata, no final das contas é a nossa maior missão.”

O psiquiatra Rafael Casali Ribeiro lidera a atividade no gramado defronte ao Centro Cuidar/Foto: Kazuo Kato (Comunicação USP Bauru)

Depois da atividade externa, os participantes entraram novamente no prédio do Centro Cuidar e foram realizadas rodas de conversas em pequenos grupos. Na sequência e até às 17h, aconteceu uma grande roda de conversa entre os presentes e o pró-reitor adjunto José Ricardo Ayres.

“O objetivo principal de um trabalho como esse é sobre o tema ‘Girando a Roda do Privilégio’ por meio de uma roda de conversa. A ideia não é ser uma palestra, é muito mais uma coisa de interação para sensibilizar o grupo na continuidade de um trabalho já iniciado. É muito voltado para a questão do pertencimento das pessoas na perspectiva mais psicossocial” afirmou José Ricardo.

O pró-reitor adjunto da PRIP, José Ricardo de Carvalho Mesquita Ayres, enfocou a importância do acolhimento na Universidade/Foto: Kazuo Kato (Comunicação USP Bauru)

O pró-reitor adjunto acrescentou que “nós sabemos que para toda a comunidade universitária, a vida na Universidade é fonte de estresse. Isso é um fenômeno mundial porque acompanhar a ciência, a construção do conhecimento, a produção, no ritmo que é cobrado, muitas vezes sobrecarrega as pessoas. Em especial, quando a Universidade iniciou a sua importante política de inclusão, percebemos que está chegando à Universidade um grupo de alunos, que não tem uma tradição de habitar esse lugar. Com isso, o estresse, as dificuldades que já são inerentes à toda a comunidade, para essas pessoas ficam ainda mais pesadas.”

Em vista disso, José Ricardo salienta que é preciso estar atento para a questão do sofrimento psíquico, do sofrimento mental, mas entendendo ele como uma experiência individual e ao mesmo tempo coletiva e estrutural. “Parte disso se deve muito à questão das diferenças e desigualdades sociais, especialmente o que denominamos de marcadores sociais da diferença como gênero, raça e classe social, vivências que produzem iniquidades e que tornam muitas vezes lidar com esse estresse, com essa sobrecarga, mais difícil.”

O pró-reitor adjunto finaliza afirmando que “o objetivo de projetos como esse aqui de Bauru, que está ligado à proposta do ECOS, da Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP) têm o foco de acolher as pessoas no seu sofrimento individual. Mas, a partir da própria troca de experiências entre alunos, funcionários e docentes, construir uma solidariedade de comunidade para dar suporte para que esse sofrimento seja mitigado. Isso passa desde uma troca de afetos, até o pensar soluções coletivas para diminuir fontes de estresse identificadas. Então a ideia é essa.”

O diretor da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP, Rodrigo Cardoso de Oliveira, ressaltou a importância do encontro ao participar do evento. “Primeiramente, eu acho que é um marco importante e mostra que existe uma continuidade de um trabalho iniciado pela professora Marília Buzalaf, com a criação do Centro Cuidar, embora formalmente vinculado à FOB, o Centro atende toda a comunidade universitária do campus. Esse evento simboliza a abertura do Centro Cuidar com a presença do nosso pró-reitor adjunto, o professor José Ricardo, e demonstra a importância tanto do Centro e do cuidado que a FOB e as outras unidades do campus têm com a saúde mental, e mostra também um cuidado e um olhar que a USP tem sobre esse assunto. Entendo que o evento tem uma proporção expressiva dentro da nossa comunidade em função de tudo o que foi construído por meio de uma gestão anterior, e estamos tentando manter e dar continuidade a esse trabalho.”

Para José Sebastião dos Santos, diretor da Faculdade de Medicina de Bauru (FMBRU) da USP “a importância do evento é porque vai dando personalidade para o Centro Cuidar. Eu acho que ele mostra quais são as possibilidades do centro, um lugar para avaliar risco e fazer uma conexão com as outras políticas públicas sociais que nós temos, e que ajudam a cuidar das pessoas. Eu acho que a grande importância é essa, pautar essas necessidades por meio desses eventos no centro, que têm a função de cuidar das pessoas do campus como: estudantes, servidores, docentes e também as pessoas que não são diretamente ligadas à USP, mas que nos ajudam a sustentar a Universidade e os nossos projetos pessoais e profissionais.”

Trilha do 3º Workshop – Ciclo 2026:

– Abril: Abertura – Girando a Roda do Privilégio, com José Ricardo Ayres (PRIP);
– Maio: Neurodivergência, Acessibilidade e Design Universal;
– Junho: Mulheres na Universidade: Desigualdades e a Ética do Cuidado;
– Agosto: Raça, Classe, Etnia e Interseccionalidade;
– Setembro: Identidade de Gênero e Pertencimento LGBTQIA+;
– Outubro: Poder, Ecologia de Saberes e Currículo Oculto;
– Novembro: Mudança Comunitária e Propostas à Gestão.

Para acompanhar as novidades e atividades, acesse a página do Centro Cuidar no Instagram: @centrocuidar.usp.

Marianne Ramalho (MTb. 15.744)