Desde que ingressou na USP em 2002, Valquíria trabalha na clínica como técnica de higiene dental (THD) Foto: Kazuo Kato (Comunicação USP Bauru)
Com um sorriso largo e contagiante, Valquíria Fernandes Nogueira de Oliveira, 56 anos, apresenta-se com a energia de quem ama o que faz. Natural de Bauru (SP), ela atua como técnica de higiene dental (THD) no Departamento de Prótese e Periodontia da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da Universidade de São Paulo (USP).
Após 24 anos de dedicação à FOB-USP, Valquíria se aposenta em 26 de fevereiro de 2026. A servidora ingressou na USP em 2002; foi casada, viveu a viuvez e, há dois anos, casou-se com Ciro de Oliveira, funcionário público estadual que atua no sistema penitenciário. Do seu primeiro matrimônio, teve dois filhos: Flávio, de 33 anos, que conclui o curso de Direito, e Alef, falecido em 2024 aos 26 anos. Valquíria também é avó orgulhosa de Ana Clara, de 9 anos.
Desde que ingressou na USP sempre trabalhou na clínica. “Na realidade, tudo isso aconteceu na minha cabeça quando eu tinha apenas 5 anos. Meu pai que era funcionário público do Departamento de Estradas e Rodagem (DER), e sempre me incentivou pela carreira no setor público. Eu machuquei minha perna e ele me levou no ambulatório do DER para fazer um curativo. Chegando lá, passou uma moça com a bandeja de instrumental e isto me chamou a atenção, e eu perguntei para o meu pai o que era e ele me respondeu é o instrumental de dentista. E eu disse: quero trabalhar com isso! O meu pai respondeu que quando eu crescesse poderia estudar e trabalhar nessa área. Complementando a situação, meu cunhado que é dentista disse que quando eu fizesse 15 anos poderia fazer um curso nessa área na USP. E desde então aquilo ficou na minha cabeça, e eu nunca esqueci.”
Em 1988, Valquíria realizou o curso de Técnico em Odontologia com o professor Ernesto Pilotto Gomes de Medeiros. A formação, em período integral, teve duração de um ano e foi concluída em 1989. Na época, 15 candidatas prestaram o vestibulinho; apenas sete foram aprovadas e somente cinco seguiram na profissão. “Hoje, apenas eu e a Lilian, da Odontopediatria, trabalhamos nessa área, sendo que ela era da minha turma”, recorda Valquíria.
A servidora afirma que “trabalhar no Departamento de Prótese me deixou muito lisonjeada. É um departamento que me acolheu e onde me senti muito bem todos esses anos. Aqui fui recebida como se estivesse em casa; além disso, sinto-me realizada, pois me desenvolvi muito nessa área ao longo desse período”.
Outras experiências
Após concluir o curso técnico, Valquíria atuou nas prefeituras de Bauru e de Santos. De volta à sua cidade natal, conquistou novamente o primeiro lugar no concurso da Prefeitura Municipal de Bauru, onde trabalhou por cinco anos na Seção de Moléstias Infecciosas (SMI). Na unidade, auxiliava dentistas no atendimento a pacientes com HIV, chegando a realizar visitas domiciliares a pacientes acamados. Posteriormente, ingressou na USP, atuando especialmente na clínica. Para ela, trabalhar na instituição foi o cumprimento de uma missão: uma forma de devolver à Universidade o que lhe foi ofertado um dia.
Sobre a importância do seu trabalho na formação dos alunos, Valquíria ressalta que o técnico de odontologia é a “porta de entrada” antes do atendimento clínico feito pelo professor. Ela explica que o profissional consegue mediar situações delicadas, como a impaciência de usuários com a espera, acalmando os ânimos antes do encontro com o professor. “Com isso, a gente faz esse meio de campo entre o aluno, o professor e o paciente”, pontua.

Auxiliar o professor e o aluno no atendimento ao paciente sempre foi uma atividade prazerosa para Valquíria Foto: Kazuo Kato (Comunicação USP Bauru)
A servidora destaca que trabalhou no Projeto “FOB-USP em Rondônia” e afirma que foi uma experiência gratificante, tendo em vista a comparação entre trabalhar na Faculdade com toda a condição tecnológica da odontologia, e trabalhar num local onde as condições são precárias.
Sobre o futuro
Com relação a essa nova etapa de sua vida Valquíria tem diversos projetos em mente. “Já estou num curso de primeiros socorros na área de socorrista de Brigada de Urgência e Emergência, isto porque quero devolver para Deus o dom que Ele me deu. Também quero trabalhar na minha igreja.”
Outra atividade importante para a servidora é a prática esportiva. Valquíria é ex-atleta, treinou basquete com o Barbosa, que foi técnico da seleção brasileira, participou de maratonas e jogou voleibol. O legado esportivo foi transmitido para a neta Ana Clara, que é judoca e já conquistou no ano passado, 14 medalhas em 1º lugar. E o seu filho Flávio, pai de sua neta jogou futebol nas Faculdades Integradas de Bauru (FIB). “Hoje pretendo fazer caminhadas e outras atividades esportivas, além de cursos para fazer bolos caseiros, herança de minha mãe que foi boleira por muitos anos no bairro de Higienópolis. Enfim, quero aproveitar um pouco mais a vida e cuidar da minha saúde”, finaliza a servidora.
Mensagem
Muito emocionada, Valquíria deixa uma mensagem neste momento tão especial da vida “eu queria deixar os meus agradecimentos ao meu Departamento, à chefia, aos funcionários, aos amigos, e aos professores e colegas falecidos que fizeram parte da minha trajetória e da história da Faculdade. E, para as novas técnicas em odontologia, que aproveitem bem os cursos nessa área e atuem na USP com a mesma garra com que eu atuei”.
Marianne Ramalho (MTb. 15.744)

