Em entrevista, a prefeita do Campus USP de Bauru, Karin Neppelenbroek, fez um balanço dos avanços na administração 2023-2025 e destacou os principais desafios e planos deste novo ciclo de gestão, que completa três meses; ela e a vice-prefeita, Linda Wang, abordaram ainda a representatividade da mulher na USP e aspectos de suas vidas pessoais

As professoras Karin Neppelenbroek, prefeita do Campus, e Linda Wang, vice-prefeita; atual gestão completa três meses em junho. Foto: Kazuo Kato/PUSP-B
Por Tiago Rodella/Comunicação USP Bauru
A atual gestão da Prefeitura do Campus USP de Bauru (PUSP-B) completa três meses no dia 9 de junho. As Portarias do Reitor com as designações das professoras Karin Hermana Neppelenbroek, para continuar exercendo a função de prefeita do Campus (a qual exerce desde 24 de julho de 2023), e Linda Wang, para a função de vice-prefeita, foram publicadas no Diário Oficial do Estado em 9 de março de 2026. Linda substitui o professor Heitor Marques Honório, que assumiu como vice-diretor da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) em 10 de março, juntamente com o professor Rodrigo Cardoso de Oliveira, novo diretor.
Em entrevista à Assessoria de Comunicação do Campus USP de Bauru, as dirigentes abordaram quais são as expectativas para este novo ciclo de gestão. Karin fez um balanço das ações e avanços na administração 2023-2025 – pontuando importantes obras que têm proporcionado melhoria de infraestrutura e impactado positivamente o bem-estar e a qualidade de vida da comunidade universitária – e destacou quais são os principais desafios e planos para os próximos anos. As dirigentes falaram ainda sobre a representatividade da mulher na USP e sobre aspectos de suas vidas pessoais.
Karin e Linda foram contratadas como docentes da FOB em agosto de 2008, mas não é apenas isso que elas têm em comum. Com experiência em funções de liderança e gestão, as duas também são conhecidas por terem um perfil proativo. Elas têm proximidade com os alunos; costumam visitar setor por setor para conhecer melhor o trabalho e ouvir as pessoas; participam ativamente dos processos de compra, colaborando na elaboração de documentos técnicos; abrem chamados de serviços no sistema; e gerenciam serviços e atividades fundamentais para o dia a dia do campus. Como se diz, “colocam a mão na massa”.
Confira a seguir a entrevista.
Em um breve balanço, professora Karin, quais foram as principais ações, avanços e projetos concluídos na sua gestão como prefeita do Campus de julho de 2023 até o final de 2025?
Professora Karin: Com relação à infraestrutura, obtenção de recursos, projetos e obras, muitas ações se iniciaram na gestão anterior, do professor José Henrique Rubo, e tiveram continuidade ou foram concluídas após assumirmos a gestão. Alguns exemplos são: a melhoria da cobertura do Ginásio de Esportes; a nova quadra poliesportiva externa do Complexo Esportivo; a construção da rampa de acesso e remodelação do estacionamento do CECS, CPC e Ubas [respectivamente: Centro de Educação e Capacitação em Saúde, Centro de Pesquisa Clínica e Unidade Básica de Assistência à Saúde]; o novo prédio que abrigará o CSCRH da USP Bauru [Centro de Serviços Compartilhados em Recursos Humanos], localizado ao lado do Departamento de Fonoaudiologia da FOB; e a idealização, concepção e construção dos Centros de Vivência do Campus.
Acredito que, com os Centros de Vivência, conseguimos concretizar a proposta do Programa Pertencer da Reitoria, criando espaços de convívio que propiciam a inclusão e pertencimento, a integração e o bem-estar da comunidade universitária e do público externo. Percebemos que os Centros de Vivência foram muito bem aceitos e incorporados na rotina da nossa comunidade. Vemos que as pessoas utilizam bastante esses espaços, seja para atividades extracurriculares; grupos de estudo; ações do USP Recicla; oficinas diversas; momentos lúdicos, de relaxamento e lazer; e até mesmo atividades e descanso para os pacientes.
Um grande destaque em relação às obras concluídas no último ano foi a reforma da moradia estudantil [Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo – Crusp], cuja capacidade passou de 60 para 72 estudantes, mais três apartamentos acessíveis, totalizando 75 vagas. A reforma contemplou substituição de pisos, revestimentos e forros, a renovação completa das redes hidráulica, elétrica e de dados, a modernização dos banheiros e a instalação de móveis planejados e eletrodomésticos novos.
Outra conquista crucial foi a obtenção, em 2024, do AVCB [Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros] em todos os prédios locais gerenciados pela Universidade. Atualmente, o Campus de Bauru é o único da USP com 100% das edificações certificadas, resultado de um trabalho conjunto de mais de dez anos, coordenado por esta e por gestões anteriores da PUSP-B, envolvendo sobretudo as Divisões do Espaço Físico e de Manutenção e Operação, com o apoio da SEF [Superintendência do Espaço Físico da USP], da Diretoria e Seção de Manutenção da FOB e, posteriormente, da Diretoria da FMBRU [Faculdade de Medicina de Bauru]. Essa certificação exigiu a elaboração de projetos, intervenções, reestruturações e implantação de diferentes sistemas de prevenção e combate a incêndio em diversas edificações, totalizando uma área de 36 mil metros quadrados.
Destaco ainda a formulação do Plano Diretor do Campus USP de Bauru, processo iniciado no segundo semestre de 2023 e que contou com a colaboração de aproximadamente 200 servidores docentes e técnico-administrativos das quatro Unidades e Órgãos locais: PUSP-B, FOB, FMBRU e HRAC [Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais]. Este é um instrumento estratégico de planejamento físico, ambiental e funcional do campus, alinhado às políticas acadêmicas, de sustentabilidade e de inclusão da Universidade, com a finalidade de orientar e subsidiar a gestão. Em um trabalho que se estendeu por mais de dois anos, grupos de trabalho promoveram e conduziram as discussões e a elaboração do documento, organizado em dez eixos temáticos, garantindo ampla participação e a escuta de diferentes segmentos da comunidade universitária e do município de Bauru, culminando em uma audiência pública realizada em novembro de 2025. Entre as suas principais diretrizes está a consolidação da infraestrutura necessária para a expansão da FMBRU no campus. No momento, o plano passa por ajustes finais para apreciação pelo Conselho Gestor do Campus e, posteriormente, seguirá para as instâncias competentes da Universidade: SEF, Procuradoria Geral, Secretaria Geral e Conselho Universitário.
Esses foram alguns exemplos relacionados à infraestrutura, projetos e obras. Com relação a contratos e serviços, tivemos uma grande mudança na última gestão com a nova Lei de Licitações e Contratos [Lei Nº 14.133/2021], que passou a vigorar como único regramento para a realização de compras públicas a partir do início de 2024 e que aumentou significativamente a complexidade dos processos e o número de contratos. Tem sido um grande desafio, mas acredito que temos aprendido e aprimorado muito nossas práticas. Contamos com uma equipe bastante reduzida nos processos de compras e contratações, tanto da parte técnica quanto da parte administrativa, mas extremamente eficiente, comprometida e em constante capacitação. Com isso, temos conseguido implementar inovações e realizar contratações de qualidade, que inclusive vêm servindo de referência para a própria USP. Elaboramos, por exemplo, o primeiro edital para contratação de nutrição e alimentação da Universidade sob a nova legislação, posteriormente utilizado como modelo por outros campi. Também fomos o primeiro campus da USP a concluir contratação de projeto de engenharia pelo critério de técnica e preço e já estamos no quarto contrato nessa modalidade. Fomos ainda pioneiros no contrato de manutenção de áreas verdes com equipe mínima.
Dentre os 25 contratos e 18 Atas de Registro de Preço atualmente vigentes, o maior destaque é o de nutrição e alimentação. Estamos no quinto contrato dessa modalidade e no segundo sob a nova Lei de Licitações, sempre aprimorando o edital para conseguir refeições balanceadas, diversificadas e de qualidade. A fiscalização técnica desse contrato segue rigorosamente todas as normas aplicáveis, de forma a assegurar a qualidade dos serviços e a segurança dos usuários. A Linda e eu frequentamos regularmente o Restaurante Universitário [RU] na condição de usuárias, tanto pelo alto padrão das refeições, quanto para acompanharmos de perto os serviços prestados. Temos recebido um retorno muito positivo dos usuários de diferentes categorias, e essa avaliação melhorou ainda mais com a implantação da opção do marmitex, que passamos a oferecer no último mês, contribuindo para reduzir as filas nos horários de maior movimento.
Outro retorno que temos recebido é que, nesta gestão, conseguimos aproximar mais a Prefeitura das Unidades de Ensino e da comunidade do campus. Temos trabalhado muitas ações conjuntas, como compras e contratos compartilhados, gerando ganho de eficiência e benefícios para todos.
E para este novo ciclo de gestão, que completa seu terceiro mês, quais são os principais desafios e prioridades?
Professora Karin: Vamos seguir priorizando o aprimoramento dos contratos contínuos e esporádicos, sobretudo aqueles que envolvem o bem-estar e a segurança da comunidade e a permanência estudantil, de forma a obter serviços cada vez melhores. Seguiremos com essa mesma prioridade em relação às obras de engenharia, dentre as quais destacamos as construções do novo RU, da Praça de Esportes e Centro de Vivência do Campus USP de Bauru e de uma nova sede da PUSP-B, além da modernização das portarias de acesso ao campus. E, embora se trate de uma obra a ser executada com recursos da nova Unidade, está entre as prioridades desta Prefeitura oferecer todo o suporte técnico necessário para a construção da sede da FMBRU, diretriz que também está contemplada no Plano Diretor do campus.
O atual RU surgiu a partir da reforma de uma antiga lanchonete para atender às necessidades do curso de graduação em Odontologia. Ao longo do tempo, a edificação passou por algumas reestruturações para absorver outras demandas, incluindo o curso de Fonoaudiologia. Com o curso de Medicina, nossa população de graduandos dobrou, saltando de 360 para 720, além de pós-graduandos, docentes e servidores técnico-administrativos que também utilizam o serviço. Atualmente, servimos uma média de 750 a 770 refeições por almoço. O restaurante ocupa uma área total de 670 metros quadrados e possui apenas 160 assentos em seu salão de refeições, quantidade compatível para atender idealmente cerca de 400 usuários, o que é muito aquém da necessidade da comunidade interna e tem ocasionado longas filas. Para enfrentar essa demanda crescente, pleiteamos junto à gestão anterior da Reitoria a construção de um novo RU e tivemos sinalização positiva. A nova edificação, cuja fase de projeto deve ser concluída até o final deste mês de junho, permitirá a oferta de 400 assentos, com capacidade ideal para atendimento de até 800 usuários. O prédio ocupará uma área total aproximada de mil metros quadrados, contemplando um novo salão de refeições, área de preparo de alimentos, câmaras frigoríficas, áreas de apoio e banheiros para os usuários, os quais não existem atualmente. A edificação contará ainda com estacionamento no subsolo, sendo, portanto, uma obra de grande porte e com muitas especificidades. Finalizada a etapa de projeto, vamos pleitear os recursos necessários e licitar a obra. Nossa estimativa é que o novo Restaurante Universitário seja entregue até meados de 2029.
Com relação ao esporte e qualidade de vida, sabemos que as atividades esportivas contribuem efetivamente não apenas para a saúde física, mas também para a saúde mental, além de promover o bem-estar, a inclusão e pertencimento, e uma melhor qualidade de vida à comunidade universitária, impactando positivamente seu rendimento acadêmico e profissional. Portanto, a melhoria da estrutura voltada às práticas esportivas também está entre as nossas prioridades. Por mais de 60 anos, o campus de Bauru contou apenas com uma quadra poliesportiva. O expressivo aumento de estudantes e usuários nos últimos anos, especialmente após a implantação do Curso de Medicina e, posteriormente, da FMBRU, evidenciou a necessidade de ampliação dessa infraestrutura. Assim, em 2024, foi inaugurada uma nova quadra poliesportiva externa nas proximidades do ginásio de esportes. Esta quadra possui uma área de aproximadamente 630 metros quadrados, iluminação e telas laterais e de cobertura, permitindo a prática de futsal, basquete e handebol. Mesmo com essa nova quadra, o complexo esportivo ainda é insuficiente para atender às necessidades da comunidade universitária, que utiliza esses espaços principalmente no período noturno em razão do expediente integral de trabalho ou estudo. Temos, inclusive, estudantes alugando espaços esportivos externos para a realização de treinos. Pesquisa realizada com a comunidade do campus demonstrou que o campo de futebol encontra-se subutilizado, enquanto a pista de atletismo tem elevada demanda. Também identificamos a necessidade de uma academia mais ampla, moderna e acessível, uma vez que a atual funciona em um corredor improvisado e conta com equipamentos obsoletos e insuficientes. Além disso, não existem espaços adequados para as Atléticas dos três cursos de graduação nem sedes físicas para os Centros Acadêmicos da FOB e da FMBRU. Buscando as melhorias necessárias para resolver essas dificuldades, obtivemos aprovação da gestão do reitor Carlotti [Carlos Gilberto Carlotti Junior, 2022-2026], por meio do Programa Pertencer, para a fase 1 da construção da nova Praça de Esportes e Centro de Vivência do Campus de Bauru, cuja obra deverá ser iniciada em agosto deste ano. Essa etapa contempla cinco quadras esportivas – duas poliesportivas, uma de tênis, uma de beach tennis e vôlei de areia e uma de futebol society – além de um centro de vivência coberto e aberto. Nossa expectativa é concluir essa primeira fase até meados de 2027. Em seguida, pretendemos iniciar a fase 2, que inclui a construção dos Centros Acadêmicos da FOB e da FMBRU; das Atléticas dos três cursos de graduação; de uma nova academia, ampla, moderna e climatizada; de mais um Centro de Vivência com banheiros; e de uma nova portaria de acesso, inclusive com biometria. O complexo ocupará aproximadamente seis mil metros quadrados e contará com paisagismo integrado às construções – com muitas árvores e áreas de sombra –, rede de dados, bebedouros, câmeras de segurança e bancos em diversos pontos, em conformidade com as normas de acessibilidade e preservando a pista de atletismo já existente. Nossa expectativa é que o empreendimento seja concluído ainda durante a atual gestão reitoral.

Vista aérea da nova Praça de Esportes e Centro de Vivência do Campus USP de Bauru. Imagem: Reprodução/projeto executivo
Outro projeto ao qual temos dedicado grande esforço é a construção de uma nova sede para a PUSP-B, substituindo o prédio administrativo atual, que já não atende adequadamente às exigências de acessibilidade, funcionalidade e integração entre os setores. A proposta é reunir, em um mesmo local, os setores administrativos e de apoio da Prefeitura, além de serviços compartilhados como Engenharia, Comunicação e TV USP. Com isso, poderemos otimizar o atendimento à comunidade universitária e o fluxo de trabalho, além de disponibilizar áreas atualmente ocupadas pela PUSP-B para atender demandas das Unidades de Ensino, especialmente da FMBRU. Além disso, considerando a limitação de vagas de estacionamento dentro do campus, essa edificação também contará com estacionamento no subsolo. Já recebemos sinalização positiva da gestão atual da Reitoria e estamos na fase de elaboração do projeto executivo, que tem sua conclusão prevista para o final de novembro deste ano.
Como mencionado anteriormente, apoiar a FMBRU na construção de sua sede definitiva também constitui uma prioridade desta gestão. Em maio de 2025, durante a segunda reunião da Congregação da FMBRU, que contou com a participação do então reitor, professor Carlotti, apresentamos um estudo preliminar feito pela Divisão do Espaço Físico da Prefeitura para a implantação da sede da Unidade dentro do Campus, na área verde localizada ao lado da Portaria 2, na Rua Henrique Savi, espaço que está sendo utilizado provisoriamente como estacionamento. O terreno possui aproximadamente quatro mil metros quadrados, sendo prevista uma edificação de seis mil metros quadrados de área construída. O projeto contempla estacionamento no subsolo, pavimento térreo e mais dois pavimentos, incluindo teatro para 650 pessoas, área de convivência com lanchonete e cafeteria, salas da Diretoria, Congregação, Comissões e Conselhos, Departamento, salas compartilhadas para docentes, salas de reuniões e espaços para as equipes de apoio administrativo e acadêmico. Nossa ideia é oferecer uma solução definitiva para a Medicina, já considerando o total de 105 docentes previstos e 100 estudantes por turma [atualmente são oferecidas 60 vagas por ano]. O local apresenta ainda a vantagem de possuir acesso próprio e localização estratégica próxima ao Hospital das Clínicas de Bauru [HC Bauru], onde parte das atividades acadêmicas já é desenvolvida. A construção da sede da FMBRU no próprio Campus já recebeu aprovação da Congregação da Unidade e do Conselho Gestor do Campus USP de Bauru. A Prefeitura continuará oferecendo todo o suporte necessário por meio da Divisão do Espaço Físico, auxiliando na elaboração dos editais de contratação do projeto e da obra e na fiscalização dos contratos.
Destaco ainda, como uma das metas da nossa gestão, a remodelação e modernização das portarias do campus. As estruturas atuais não atendem adequadamente às necessidades dos usuários e dos profissionais que ali atuam. Não há cobertura para proteção contra a chuva, os equipamentos de controle de acesso ficam expostos às intempéries e já ocasionaram falhas no funcionamento das tags veiculares. Além disso, os banheiros dessas portarias ficam na parte inferior, com escada em caracol, e o controle de entrada de pedestre ainda é realizado manualmente. Nossa proposta é modernizar complementarmente essas estruturas, tornando-as ainda mais funcionais, confortáveis, seguras e compatíveis com as necessidades atuais da Universidade. Pretendemos facilitar o acesso de pedestres da comunidade USP com a implantação de sistema de biometria, melhorar as condições de trabalho das equipes e conferir às portarias uma identidade visual mais moderna e representativa do Campus USP de Bauru.
Temos a nosso favor o fato de contratarmos a maioria dos projetos que pleiteamos com recursos próprios, oriundos de economias obtidas em processos licitatórios, o que a Reitoria tem prezado muito. Adicionalmente, os projetos, as obras e as ações que estamos priorizando atendem diretamente demandas relacionadas à permanência estudantil, segurança, saúde e qualidade de vida, melhoria administrativa e desenvolvimento sustentável do campus.
Nossa expectativa para essa gestão é a melhor possível: continuarmos avançando em inclusão e pertencimento, com um campus acolhedor, bem cuidado e com os serviços funcionando bem. Enfim, continuaremos trabalhando para oferecer cada vez mais qualidade de estrutura e serviços, criando e assegurando as condições necessárias para que as Unidades de Ensino possam exercer suas atividades com excelência.
Um levantamento recente junto às Unidades e Órgãos da USP Bauru e ao Centro de Serviços Compartilhados em Recursos Humanos (CSCRH) mostra que as mulheres representam 66% de toda a comunidade do nosso campus (sendo 68% entre estudantes de todos os níveis e 62% entre docentes e servidores técnicos e administrativos). Como primeira mulher a ocupar o cargo de prefeita do Campus, professora Karin, como você avalia a indicação de duas mulheres para estarem à frente da Prefeitura do Campus na atual gestão? E como você vê a representatividade e força da mulher na USP Bauru e os desafios a serem superados? Gostaria da avaliação da professora Linda também.
Professora Karin: Após predomínio dos homens por décadas, isso vem mudando nos últimos anos na USP de uma maneira global, inclusive em funções de direção, embora em ritmo mais lento. Na própria Reitoria, as equipes têm contado com vice-reitoras, pró-reitoras, pró-reitoras adjuntas, mulheres à frente de Superintendências tradicionalmente lideradas por homens – como a do Espaço Físico e a da Tecnologia da Informação – e à frente das Prefeituras dos Campi – como aqui em Bauru e nos campi do Butantã, de Lorena, de Ribeirão Preto e do Quadrilátero da Saúde e Direito. Também vemos muitas mulheres em funções de assessoria, chefia e liderança em diversas Unidades da Universidade.
Esse avanço representa, sem dúvida, uma importante valorização da participação feminina nos espaços de decisão. Mas acredito que ele também é resultado do reconhecimento da competência, da dedicação e da capacidade de liderança que muitas mulheres vêm demonstrando ao longo de suas trajetórias acadêmicas e profissionais. As oportunidades têm aumentado porque as mulheres têm mostrado, na prática, sua capacidade de contribuir de forma efetiva para a gestão universitária.
No nosso caso, considero muito simbólico que a Prefeitura do Campus de Bauru seja atualmente conduzida por duas mulheres. Mais do que uma questão de representatividade, isso demonstra que a Universidade está cada vez mais aberta à diversidade de perfis e experiências em seus espaços de liderança. Cada gestor traz suas próprias características, habilidades e formas de conduzir equipes, e acredito que a pluralidade de visões fortalece a instituição.
Apesar dos avanços, ainda existem desafios a serem superados, especialmente no que se refere à ampliação da presença feminina em algumas posições de liderança e tomada de decisão. Entretanto, acredito que a USP tem avançado de forma consistente nesse processo, e fico muito feliz em ver que as mulheres da nossa comunidade ocupam papel de destaque no ensino, na pesquisa, na extensão, na assistência e também na gestão universitária. Isso serve de inspiração para as novas gerações e contribui para uma Universidade cada vez mais inclusiva, representativa e preparada para os desafios do futuro.
Professora Linda: Complementando a fala da professora Karin, entendo também que essas mudanças têm sido uma dinâmica e uma construção natural. Penso que essa transformação tem trazido mais equilíbrio, independentemente da característica técnica ou humana. São diferenças que somam e, quando sabemos interpretar esse movimento à luz da igualdade e do equilíbrio, isso é muito bem-vindo. Não vejo como uma questão de disputa, mas sim como uma questão de construção, de evolução. Estamos vivenciando essa transformação e acredito que a USP, consciente disso, acaba refletindo essa dinâmica nos diferentes campi, Unidades e órgãos.
Perfis
Karin Hermana Neppelenbroek (46 anos)
Foto: Kazuo Kato/PUSP-B
Naturalidade: Orlândia (SP). Cresceu e viveu até os 16 anos em Ituverava (SP), quando saiu de casa para cursar o terceiro ano do ensino médio em Ribeirão Preto e, depois, a faculdade em Araraquara.Família e origens: Filha de pai holandês e neta de libaneses (por parte materna). Sempre quis ser professora e tem os pais como grande exemplo e inspiração. Ambos eram ligados à área da educação – ele, professor universitário, de Filosofia; ela, professora do ensino fundamental, de Matemática. A mãe faleceu em 2019 e o pai, em 2020.
Formação: Graduação em Odontologia (2000), mestrado (2003) e doutorado (2005) pela Faculdade de Odontologia de Araraquara da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Carreira na FOB: Ingressou como docente em 15/08/2008. Obteve a livre-docência em 2016 e, desde 2023, é professora titular do Departamento de Prótese e Periodontia. Considera a professora Lucimar Falavinha (falecida em 2022) uma segunda mãe, por acolhê-la em Bauru e por ter sido fundamental para que pudesse estabelecer raízes e vínculos na cidade. Ela também foi uma de suas grandes mentoras acadêmicas, assim como o professor Luiz Fernando Pegoraro.
Valores norteadores: Honestidade, respeito e comprometimento.
Hobbies e momentos especiais: Jardinagem, culinária, atividades físicas e estar com o marido e os amigos.
Professora Linda Wang (52 anos)
Foto: Kazuo Kato/PUSP-B
Naturalidade: Presidente Prudente (SP).Família e origens: Filha de chineses que se naturalizaram brasileiros, ambos professores. No Brasil, o pai também trabalhou muitos anos como comerciante, e faleceu em 2005. Sua mãe tem 86 anos e dá aulas de mandarim até hoje. Tem os pais como grande fonte de inspiração pessoal, pois sempre valorizaram muito a educação e se dedicaram para oferecer uma boa formação para as filhas. É solteira, presbiteriana e tem uma irmã.
Formação: Graduação em Odontologia (1996), mestrado (2001) e doutorado (2003) pela FOB-USP.
Carreira na FOB: Ingressou como docente em 08/08/2008. Obteve a livre-docência em 2011 e, desde 2019, é professora titular do Departamento de Dentística, Endodontia e Materiais Odontológicos. Menciona como figuras inspiradoras dois docentes da FOB que são expoentes em suas áreas e grandes exemplos de liderança: a professora Maria Fidela de Lima Navarro e o professor José Mondelli.
Valores norteadores: Disciplina, organização e respeito às pessoas.
Hobbies e momentos especiais: Culinária, literatura, artesanato, atividades físicas e tempo livre e de qualidade com a família e os amigos.



